Ainda a crise

Há alguns dias, reagi a um texto de Luís Fernando Veríssimo que falava que os liberais não protestavam quando o Estado salvava empresas citando alguns links.

Desde aquele dia, veio o plano do bailout e veio sua (gloriosa) rejeição pelo congresso americano. Mas o festival de besteiras não acabou. Às vezes parece que estou lendo uma revista marxista dos anos 60, dizendo que “o capitalismo se encontra em sua fase final” e denunciando a ganância dos empresários. É verdade, mas falta denunciar a ganância dos políticos também… Na verdade, é justo dizer que a marca distintiva de quem não consegue sequer distinguir os fatos é dizer que essa é uma crise do liberalismo, quando é uma crise do intervencionismo, da promiscuidade entre governo e empresários.

Deixo o leitor com mais links sobre o assunto:

Meditação sobre a liberdade

Dá-me náuseas ouvir gente “conservadora” dizer que o livre mercado depende de fatores culturais e sociais. Uma coisa é dizer que primeiro foi preciso que certas condições culturais existissem para que o livre mercado fosse pensado e proposto, pois ele já existia como fato antes de ser uma teoria. Outra coisa, mui maligna, é sugerir que determinada população, neste momento, não é boa o bastante para ter liberdade de comprar e vender – e não há como não pensar que isso não é mais do que o discurso de alguém que se beneficia (ou julga beneficiar-se) da opressão popular.

Alguém disse que o patriotismo era o último refúgio dos canalhas; pois hoje parece que a defesa da “civilização” e da “ordem” é um refúgio um pouco mais distante. A civilização nada mais é do que uma decorrência de certos princípios; defender com sinceridade a civilização e esquecer os princípios é como defender a fachada de uma casa enquanto a estrutura apodrece. Defender a “civilização” arrogando-se o direito de estabelecer uma lei para si e outra lei para os demais – “eu sou bom para o livre mercado, mas aqueles bárbaros ali, eles não” – já é trair todos os princípios e contribuir para a destruição da civilização.