E se o Papa Francisco levar uma ovada?

Com o clima atual de animosidades e de promessas de manifestações contra o Papa Francisco, que dispensou o papamóvel com vidro blindado usado após o atentado a João Paulo II, pergunto-me se não vão tentar ao menos lançar alguma coisa contra suas vestes brancas aqui no Rio de Janeiro.

Aí me vem imediatamente uma cena do filme de Rossellini sobre São Francisco, baseada numa página célebre do próprio, em que São Francisco explica onde encontrar “a perfeita alegria”.

O santo dos pobrezinhos

Para o santo, a perfeita alegria não consiste em converter todo o mundo, nem em prever todos os acontecimentos futuros, mas em apanhar em nome de Cristo. Por isso ele convida o irmão Leone a bater na casa de um homem para convidá-lo a servir Cristo, e é escorraçado para fora, jogado na lama, debaixo da neve.

O Papa também virá aqui convidar-nos à mesma coisa. O dono da casa, no filme, manda um “Não perturbe!”. Pois o Papa Francisco vai perturbar bastante a cidade (e eu moro em Copacabana, o bairro que provavelmente será o mais perturbado de todos).

Então, se o Papa levar uma ovada ou qualquer coisa, eu saberei que ele está conhecendo a perfeita alegria. Ou, como vocês podem ver no trecho do filme, logo abaixo, la perfetta letizia (e italiano não é nada difícil de entender).

Credo in sodales qui progrediunt et virgam sustinent flammarum

Tendo um amigo chamado a atenção para o inacreditável “Credo” que uma obra publicada pelas Edições CNB do B (apud José Osvaldo de Meira Penna), e divulgado pelo indispensável Fratres in Unum, julguei por bem encomendar uma sua tradução latina a um artesão que, como seus antecessores medievais, prefere o anonimato.

Até quando, eminências, julgareis que desprezar um mínimo de bom gosto é sinal de apreço pelo povo? Até quando crereis poder competir com o Faustão sem tornar-se igual a ele? Que a evangelização pode ou deve ser imiscuída como mensagem subreptícia em meio ao vil entretenimento, como merchandising divino?

Ecce novum Credo Iuventutis a CNBB editum, quod ab eis favetur confiturum in saecula saeculorum.

Credo in iuventutem quae nova quaerit, qui melius cras sperat et somniat somnos infantium.
Credo in puerum puellamque qui scit quod vult, qui pugnam firmiter confrontat, qui non a via currendi fugit.
Credo in sodales qui progrediunt et virgam sustinent flammarum.
Credo in puerum qui valorem reperit vivendi sicut fratres et sorores, necnon quaerit communitatem.
Credo omnes pueros omnesque puellas scire ‘sic’ dicere et etiam ‘non’ dicere.
Credo in iuventutem qui semper convenit ad vitam fruendam.
Credo in pueros et puellas Communitatis, ruris, scholae, vicinitatis, qui in sua realitate amorem vivere sciunt.
Credo in gradationem nostram ad novam societatem, ubi omnes fratres et sorores erimus.
Credo in vim pueri et puellae qui ridet, canit, saltat, flet, connubialiter diligit, expectat et novum cras facit.
Credo in Deum Patrem et Matrem, Liberatorem, et in omnem puerum omnemque puellam qui somniat Regnum Amoris eius.
Credo in Puerum Christum, qui voluntatem Dei cumplevit et copioso amore vixit.
Credo in Spiritum Sanctum, qui igne amoris excitat iuventutem omnem ad Liberatorem quaerendum.
Credo in Mariam, mulierem doloris et laetitiae, matrem dilectam nobis, omnium puerorum puellarumque qui in vita valorem suum reperiunt.
Credimus nos solum fide, vi et confidentia inituros in Regnum Dei et Populi.
Amen.