The Cloisters

The Cloisters - Window

The Cloisters é um museu que fica quase no extremo norte da ilha de Manhattan. É impressionante como tão próximo ao centro de uma das maiores cidade do mundo pode existe um local tão pouco urbano. O museu fica dentro do Fort Tyron Park , de forma que é cercado de verde por todos os lados.

The Cloisters - Stained Glass

O museu foi construído especificamente para conter arte medieval, e foi projetado com base no conceito de que as peças a serem expostas deveriam se integrar adequadamente ao ambiente. Portanto, apesar de ser uma obra moderna, foi realizada em estilo compatível com a época de seu acervo, e isso de fato proporciona uma experiência completamente diferente da que seria obtida pendurando ítens completamente fora de contexto numa galeria asséptica no centro da cidade. A idéia é levada ao extremo de que alguns ítens, como por exemplo vitrais e pórticos, foram integrados à edificação, de forma que podem ser observados exercendo as funções para as quais foram originalmente concebidos. O resultado final é a sensação de se estar de fato em uma atmosfera medieval.

The Cloisters - Internal Garden

Lixo de luxo nas calçadas de Astoria

Lixo 4

O lixo americano definitivamente não é igual ao brasileiro. Para começar, os lixeiros não passam todos os dias; existem dias específicos da semana nos quais o lixo deve ser posto na rua para ser recolhido, e não é diariamente. Além disso, em geral os lixeiros não recolhem lixo dos dois lados da rua no mesmo dia; lados opostos da rua são recolhidos em dias diferentes, de forma que os lixeiros nunca precisam ficar atravessando a rua para pegar lixo do outro lado, aumentando a segurança, a eficiência e atrapalhando menos o tráfego.

Lixo 1

Adicionalmente, mesmo sendo dia de coleta, não se pode jogar fora qualquer coisa que se queira nem em qualquer quantidade. Existe um dia específico para se jogar fora lixo reciclável, por exemplo. Aliás, essa questão de reciclagem é todo um subassunto; é responsabilidade de quem joga lixo fora já jogá-lo separado em categorias, e cada tipo de lixo tem que ser embalado num saco plástico de uma certa cor. Garrafas plásticas e latas vazias, por exemplo, devem ser descartadas em sacos azuis. Papel e papelão em sacos verdes. Lixo orgânico em sacos pretos. E assim por diante.

Lixo 5

Agora, o mais surpreendente mesmo para mim foi a qualidade do lixo. Em dia de coleta, algumas horas antes dos lixeiros passarem, à medida em que as pessoas vão colocando o lixo para fora, normalmente ao anoitecer, as calçadas ficam cheias. Evidentemente, uma boa parte é do lixo comum ao qual estamos acostumados, mas só uma parte.

Lixo 3

Uma outra parte considerável é composta de objetos que não estamos acostumados a ver no lixo. Mesas, cadeiras, estantes, colchões, fornos de microondas, ventiladores, aparelhos de ar-condicionado, televisões, monitores, aparelhos de som, computadores, caixas de som, bicicletas, geladeiras, fornos de microondas (particularmente freqüentes), tocadores de DVD, enfim – praticamente qualquer objeto que se encontraria numa residência. E não são ocorrências raras – são montes dessas coisas, todas as semanas. Mais do que isso, com altíssima freqüência, esses ítens não estão velhos nem quebrados. Só posso especular que tenham sido substituídos por uma versão ainda mais recente ou que o dono esteja se mudando e não tenha outro destino para parte de suas propriedades.

Lixo 2

Seja qual for a explicação, o fenômeno é bastante real, e mais uma vez pode parecer que minha descrição seja exagerada. Para corroborar esse relato, saí à noite e dei uma volta pela vizinhança fotografando o lixo. São tantas fotos que postá-las todas aqui entulharia o site, então escolhi algumas, mas de fato todos os outros tipos de objeto listados acima também estavam representados, e múltiplas vezes. Eu poderia fazer algum tipo de análise sobre capitalismo, sociedade de consumo, desperdício, prosperidade, mobilidade social e outras idéias relacionadas, mas acho que os fatos em si mesmos já são bastante interessantes, e a verdade é que eu não sei muito bem que juízo fazer disso. Então fica aqui registrado que é facilmente possível mobiliar um apartamento em Nova York com algumas poucas excursões à calçada da sua rua.

Random People Playing In The New York Subway

Continuando a série de pessoas aleatórias tocando no metrô de Nova York, aqui está um sujeito tocando alguma coisa que eu nem sei se tem nome; parece uma lata amarrada num arame. Esse aqui foi na estação que fica exatamente em frente à entrada principal de Columbia, na rua 116.

Aliás, um comentário à parte – pelo menos aqui em Nova York, os americanos têm mania de não dar nomes às ruas, e sim números. Por um lado é prático, mas por outro as localizações na cidade perdem um pouco da personalidade. Seja qual for o “melhor” sistema, é interessante como as nossas expectativas são moldadas pelo que conhecemos e estamos acostumados. Outro dia eu estava falando com uma americana e ela estava tentando me dizer onde um certo lugar ficava e comentou “The south of Manhattan is so confusing because the streets have all those different names!” Isso é confuso? Confuso é morar na 30th Road, paralela à 30th Drive, ambas cortando a 30th Street, que vai dar na 30th Avenue. Parece brincadeira mas não é; era exatamente meu endereço logo que cheguei aqui.

Coney Island

Coney Island - Stillwell Station

Para quem não sabe, a cidade de Nova York tem praias. Não ficam em Manhattan, e sim um pouco mais afastadas (a cidade é enorme), mas estão lá. Uma delas é Coney Island (outra, adjacente, é Brighton Beach). Coney Island é famosa pelo parque de diversões lá presente, cercado de algumas outras atividades circenses / alternativas (como por exemplo o “Shoot The Freak”, no qual você paga para ficar dando tiros com uma arma de paintball num sujeito que fica tentando se desviar). Neste parque de diversões fica uma das montanhas russas mais famosas do mundo – a Cyclone, com um design clássico completamente diferente dos atuais, e que um dia já foi a montanha russa mais rápida do mundo.

Pois bem, está ocorrendo aqui um grande debate porque este pode ser o último verão de Coney Island como a conhecemos. Algumas imobiliárias estão comprando todos os terrenos da região e querem demolir tudo para fazer condomínios e hotéis de luxo. A discussão toda é (mantidas as proporções) similar a quando a prefeitura do Rio decidiu acabar com o Tivoli Park – um lugar decadente, que pagava um aluguel ridículo para prestar um serviço questionável e sem sequer conseguir auferir disso grandes lucros. Apesar disso, um local extremamente tradicional e pitoresco presente na memória e na imagem da cidade, assim como afetivamente significativo para quem cresceu lá. A questão é complicada pelo fato de que a Cyclone foi declarada historic landmark (depois de quase ser demolida na década de 70), e de que apesar de atualmente pertencer ao parque de diversões Astroland, está em terras públicas. Acabei decidindo ir lá dar uma olhada no que estava acontecendo. De fato, já caminhando da estação até a praia vi várias escavadeiras trabalhando e grandes áreas sendo preparadas para construção. Mas o núcleo tradicional da ação ainda está lá exatamente como sempre.

Coney Island - Astroland

Algo a se notar na foto acima é a quantidade de bandeiras americanas. Eu ia escrever que os americanos têm algum tipo de fetiche com a bandeira americana, mas o fato é que os imigrantes também parecem ter. Elas aparecem em adesivos de pára-choque, bonés, camisetas, janelas, portas, anúncios, além de bandeiras de verdade que aparecem em todos os lugares inclusive em mastros colocados em residências particulares.

Coney Island - Deck

Apesar de estar já razoavelmente quente – mais de 30 graus em certos dias – muitos americanos vão à praia vestidos. Notem adicionalmente que a limpeza não é uma das características de Nova York.

Random People Playing In The New York Subway

Uma das coisas características de Nova York é a quantidade de vezes que encontramos pessoas aleatórias tocando música no metrô. Imagine o sujeito que fica na porta da estação de metrô da Carioca (no Rio) tocando saxofone, só que multiplicado por mil, e se manifestando em infinitas formas e variações, e tocando dentro da estação ou mesmo dos vagões em movimento. Imagine bandas de mariachi completas entrando de sopetão no trem e tocando a todo vapor. Imagine pessoas com bateria, guitarra, baixo, vocais e coreografia. Imagine pessoas de todas as cores, raças a nacionalidades tocando todos os tipos possíveis de instrumentos (e não instrumentos!) concebíveis. Imagine ceguinhos tocando harmônica e japoneses tocando intrumentos aos quais eu nem saberia dar nome. Mas para não estressar demais a imaginação dos leitores, que podem até ficar céticos diante dessa descrição tão hiperbólica, eu decidi começar a registrar essas situações. Então, para começar, aí está um vídeo que de brinde contém uma ironia acidental num anúncio ao fundo. 🙂

Sincretismo cultural

Anuncio Get Up Y Anda em Astoria

Aqui vai uma fenomenal manifestação de sincretismo cultural. Aliás, o espanhol é uma realidade aqui em Nova York. Uma boa parte da população fala espanhol como primeira língua e quase tudo – desde bilhetes de metrô até cartazes e anúncios – contém uma versão em espanhol. Mas isso é só um dos elementos de sincretismo presentes nesta foto. 🙂

(Nota : os comentários estão habilitados também neste post.)

He Can’t Handle The Truth

Pichacao do Shrek 3 na Grand Central Station

É interessante como certas cenas, vistas de relance no cotidiano, necessitam de uma quantidade enorme de contexto para serem adequadamente compreendidas, para terem todas as camadas de seu significado decodificado. Um conhecido (não muito intelectual) meu veio a Nova York no final do ano passado e disse algo do tipo “é, não vi nada de mais, é tipo uma São Paulo com algumas coisas um pouco maiores”. Duas pessoas olham para exatamente a mesma situação e uma não vê absolutamente nada de interessante ou extraordinário enquanto outra enxerga montanhas de significado. Às vezes conseguimos ter esse tipo de experiência dual dentro de nós mesmos, quando revisitamos anos depois o mesmo filme ou livro e o que parecia obtuso e chato por vezes se revela brilhante à luz de novas experiências, enquanto o que um dia pareceu genial pode descer à mais total banalidade. Enfim, isso tudo é um meta-comentário a essa cena na Grand Central Station em NY, na qual a adição de uma discreta pichação transformou um trivial anúncio de filme em algo que me obrigou a um sorriso interno e a dar meia volta para tirar uma foto.

(Nota : experimentalmente decidi habilitar comentários neste post.)