Livros no Twitter

E sem votos no Obama, o que torna tudo melhor ainda. Aliás, onde estão aqueles obamistas messiânicos? Só vejo Obama fazendo tudo igual a Bush, e pior. O que prova que realmente o que se diz sobre os presidentes não passa de hot air.

Mas passemos a cousas verdadeiramente importantes.

A Ocidente Livros Usados, aberta recentemente na famosa galeria da Modern Sound aqui em Copacabana, agora tem um twitter. Vocês, eleitores do Obama, podem seguir o twitter. Ou adicionar o twitter. Ou o que quer que se faça com um twitter. O endereço é www.twitter.com/ocidentelivros. Agora é esperar que Jayme, o livreiro, divulgue as novidades da loja.

Devo dizer que Jayme e sua namorada, o casal que cuida da loja, são meus amigos há alguns anos. Eles são como o casal Baucis e Filêmon da lenda grega. E além de o acervo da loja estar formidável, com cousas excelentes de poesia, ficção, filosofia, política, religião etc. (o que gera o paradoxo dos sebos: o acervo é excelente, mas se for comprado deixa de ser, e então… As livrarias comuns, afinal, pedem reposições à editora), simplesmente estar com eles já vale o dia. Na saída – não na entrada, cuidado com os livros – passe na sorveteria ali do lado. Como eu costumo dizer, desde a abertura da Ocidente aquele pedacinho de Copacabana se tornou o coração pulsante do hedonismo cultural copacabanense.

Lei Rouanet etc.

A ver:

1. Segunda-feira publiquei mais um artigo sobre Lei Rouanet no site do OrdemLivre.org, que aliás está com novo layout.

Se existe uma relação imediatíssima entre arte e política, é essa: o preconceito romântico da autonomia artística serve de legitimação chique para que o governo tome o dinheiro do povo e o entregue aos produtores, que ficam dispensados de atender aos desejos do público.

2. Também vale muito a pena ler o ensaio de Robert Nozick, Por que os intelectuais se opõem ao capitalismo? Basicamente, porque eles queriam que o mundo fosse uma escola e boas notas valessem dinheiro no banco.

3. A página Climate Change Reality, no site do Cato, também está imperdível.

Uma petição contra o protecionismo para o G-20

A liberdade econômica (que está relacionada às outras liberdades) tem dois inimigos mortais: o governo e as grandes corporações, que freqüentemente se juntam para prejudicar os consumidores (também conhecidos como cidadãos), obrigando-os a pagar mais por produtos piores. Isso é feito sob uma miríade de desculpas pomposas, do nacionalismo à proteção de empregos. Você pode ficar feliz por achar que “ajuda seu país”, enquanto um empresário do seu país fica felicíssimo por ter a competição artificialmente prejudicada e um político igualmente feliz por receber algo para criar essa legislação. Todos perdem, exceto a pequena elite que pode comprar aqueles produtos importados mesmo mais caros.

Para combater esse câncer social e político que é o protecionismo, a Atlas Global Initiative preparou uma petição para ser divulgada na imprensa mundial às vésperas do próximo encontro do G-20 em Londres. Eu mesmo traduzi o texto da petição, que também está disponível em inglês. Leia no idioma de sua preferência e, se você for economista, por favor assine. O objetivo é coletar 1000 assinaturas.

Curso sobre Hobbes com Martim Vasques da Cunha

Anatomia da Crise

O Leviatã e o mundo atual

Martim Vasques da Cunha

12 aulas semanais, quartas-feiras, do dia 25/03 até o dia 17/06

Como compreender a crise atual? Nos jornais, nas revistas e em programas de televisão todos buscam uma análise confiável da situação; lemos com atenção na internet qualquer texto que nos dê uma informação mais privilegiada; esperamos que o governo crie uma solução adequada ao problema. Mas nada acontece. Talvez a compreensão da época em que nos encontramos esteja em um livro escrito no século XVII, enquanto o seu autor vivia um dos períodos mais conturbados da Europa: o Leviatã, de Thomas Hobbes.

Neste clássico da filosofia política, percebemos uma reflexão minuciosa de uma sociedade em crise e a busca de um fim para os problemas. Será que um livro de tempos passados pode nos ajudar a entender o que ocorre em nossos tempos repletos de progresso, globalização econômica e tecnologia avançada?

Para chegarmos a qualquer resposta, temos de enfrentar as páginas deste livro e ver se, antes de tudo, as suas conclusões correspondem aos nossos verdadeiros anseios de ordem e de paz.

Por isso, o IICS montou um seminário especial sobre o tratado de Thomas Hobbes. Serão 12 aulas semanais de leituras sistemáticas a partir do próprio texto e relacionando-o com eventos atuais e históricos, sempre acompanhados por um tutor que orientará o aluno em suas dúvidas e inquietações.

As aulas estão estruturadas da seguinte forma:

1a. Parte: A Crise do Homem

a. Contexto histórico e biográfico de Thomas Hobbes; a teoria do conhecimento de Hobbes

b. A Natureza Humana segundo Hobbes

c. O medo da morte violenta

d. A análise de Hobbes da loucura e do orgulho

2a. Parte: A Crise da Sociedade

a.O contrato social segundo Hobbes

b. A soberania segundo Hobbes (I)

c. A soberania segundo Hobbes (II)

d. A relação entre súdito e soberano

3a. Parte: A Crise do Governo

a. A justificativa da soberania total

b. A leitura da Bíblia segundo Hobbes

c. O problema do Mal segundo Hobbes

d. A obediência completa

4a. Parte: A Crise da Religião

a. A religião segundo Hobbes

b. Hobbes contra a tradição ocidental

c. Hobbes confronta as igrejas

d. As religiões políticas

Preço: 10x de R$ 180,00

Processo Seletivo: Será realizado pelo coordenador geral do departamento de Humanidades através do preenchimento da ficha de avaliação e de uma entrevista.

Martim Vasques da Cunha é jornalista, escritor, mestre em Filosofia da Religião pela PUC-SP, coordenador do Departamento de Humanidades do IICS e co-editor da revista cultural “Dicta&Contradicta”.

Meia-entrada e Martin Luther King, Jr

Hoje, no OrdemLivre.org, retomo a questão da meia-entrada, com uma proposta para radicalizar a lei:

Todos os direitos patrimoniais sobre as obras financiadas pelo público deveriam ficar com o próprio público.

Mas a estrela do site hoje certamente é o texto de Martin Luther King, Jr.

Como se pode determinar se uma lei é justa ou injusta? Uma lei justa é um código produzido pelo homem que se ajusta à lei moral ou à lei de Deus. Uma lei injusta é um código que está em desacordo com a lei moral. Para colocar nos termos de Santo Tomás de Aquino: uma lei injusta é uma lei humana que não está radicada na lei eterna e na lei natural. Qualquer lei que eleve a personalidade humana é justa. Qualquer lei que degrade a personalidade humana é injusta. Todos os estatutos segregacionistas são injustos porque a segregação desfigura a alma e danifica a personalidade. Ela dá ao segregador uma falsa impressão de superioridade e aos segregados, uma falsa impressão de inferioridade.

A falta de leitura de Lula

E como ela não deveria ser tratada com tanto escândalo. Do meu artigo para o OrdemLivre.org:

É por isso que eu mesmo fiquei atordoado ao ler o artigo de Roberto da Matta afetando estar chocado com a falta de leitura do presidente Lula. Não apenas da Matta cita Lula fora de contexto, afirmando que Lula declarou à Piauí que a leitura mesma lhe dava azia, quando na verdade Lula disse isso só a respeito da imprensa, como ainda sugere que consta na job description do presidente da república ser um intelectual modelo e declarar seu amor pela leitura. Amor que na verdade é um fetichismo, porque nem mesmo da Matta, que afirma que “morreria sem livros”, certamente não se referia a qualquer espécie de livros. Creio mesmo que, excetuando a prosa de ficção e outras obras experimentais, que têm no formato do livro algo que determina a experiência desejada pelo autor, todos os conteúdos têm na escrita apenas um acidente de transmissão, e não sua própria essência. Quem concordaria comigo seria Sócrates, o filósofo grego, ao menos na versão que nos é apresentada por Platão. Sócrates não só não escreveu nada como condenou a escrita no diálogo Fedro, dizendo que ela levaria os homens a perder a memória. O impacto de Sócrates sobre a cultura ocidental já é suficiente para colocar a ideia de que “ler é importante” entre parênteses.

Uma coisa é lamentar as eventuais vergonhas que Lula passa sem perceber, outra coisa é transferir ao presidente (qualquer presidente) a obrigação de ser macho alfa em todas as áreas, ou ao menos na área que mais apetece ao eleitor.

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