«Liberdade, para quê?»

Georges Bernanos, La France contre les robots. A tradução do trecho abaixo, que encerra o cap. IV, é minha. Você pode comprar este livro em português, traduzido por Lara Christina de Malimpensa, na edição da É Realizações: A França contra os Robôs.

… a frase atroz, a frase sanguinária de Lênin: “Liberdade? Liberdade para quê?…” Para quê? Isto é, para que ela serve? Para que serve ser livre? E, de fato, não serve para grande coisa, nem a liberdade nem a honra poderiam justificar os imensos sacrifícios feitos em seu nome, e daí?! É fácil convencer os ingênuos de que somos apegados à liberdade por aquele tipo de orgulho expresso pelo non serviam do Anjo, e pobres padres vão repetindo essa tolice que agrada a sua estupidez. Ora, precisamente, um filho de nossas velhas raças laboriosas e fiéis sabe que a dignidade do homem é servir. “Não existem privilégios, só existem serviços”, essa era uma das máximas fundamentais do nosso Direito antigo. Porém, só um homem livre é capaz de servir, o serviço é por sua própria natureza um ato voluntário, a homenagem que um homem livre faz de sua liberdade a quem ele quiser, a quem ele julga estar acima dele, àquilo que ele ama. Se os padres de que acabo de falar não fossem impostores ou imbecis, saberiam que o non serviam não é uma recusa de servir, mas de amar.

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