Ensinar e praticar fake news

O jornal O Globo, que carinhosamente chamo há anos de Diário do Balneário, nos explica como uma peça de fake news — manterei o inglês e o anglicismo “uma peça de” propositalmente — é fabricada ao comentar as falsidades espalhadas a respeito da vereadora Marielle. Entre as várias receitas possíveis, o Diário do Balneário dá a entender que, se você colocar uma mera declaração como título de uma matéria, as pessoas pensarão que a declaração é verdadeira:

O Ceticismo Político usou como base uma reportagem da colunista Mônica Bergamo, do jornal “Folha de S. Paulo”, sobre um comentário de uma desembargadora publicado no Facebook a respeito de boatos que circulavam no WhatsApp. O texto publicado pela “Folha” citava o que havia sido escrito pela desembargadora e informava que um grupo de advogados tinha se mobilizado para que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) se pronunciasse sobre o caso. O Ceticismo Político, no entanto, subverteu o texto original e deu um novo título: “Desembargadora quebra narrativa do PSOL e diz que Marielle se envolvia com bandidos e é ‘cadáver comum’”.

O Diário do Balneário ainda usa muito bem a palavra “subverter” para descrever o ardil. Eu não leio o “Ceticismo Político”, do qual só tinha ouvido falar, mas não o lia justamente por saber que a nossa direita infelizmente especializou-se nesse tipo de “subversão”.

Mas… Com quem eles aprenderam?

Lendo o mesmo Diário do Balneário, encontro um subtítulo que dá a entender que todos os alunos da PUC-Rio são contra o jornal “O Universitário”.

Você pode, é claro, comparar o título com a matéria, e ver que o texto vai afinando o todos para “uma parte”, e descobrir até que os alunos estão divididos!

Imagine só encontrarmos dois funcionários das organizações Globo que seriam eleitores de Bolsonaro e noticiarmos: “Funcionários da Globo querem Bolsonaro”.

Mas que digo eu? Todo mundo já está cansado de saber disso, e eu mesmo encerro este texto com certo tédio.