Um pouco sobre Bergoglio; as acusações contra ele

Quisera eu poder parar e ler tudo sobre o novo papa. Mas as traduções estão aí, e ainda tenho um compromisso hoje à tarde.

A ler:

1. Os dois artigos antigos de Sandro Magister sobre o cardeal Bergoglio: um perfil dele feito em 2002, e um texto sobre a igreja na Argentina.

2. O que John Thavis, o vaticanista da hora (bom, foi o único que disse: “olhem o cardeal Bergoglio” antes da eleição), disser sobre os primeiros dias do novo papa. Aliás, para quem estiver na “arma de distração em massa” (apud Bill Valicella) que é o Twitter, lá está também John Thavis.

3. O Catholic Herald.

4. Um texto simples da First Things que coloca os pés no chão.

Agora, as acusações a Bergoglio surgiram no e-mail de alguns amigos meus nada menos do que DEZ MINUTOS depois da eleição. Francamente, “acusado de” já virou epíteto de muita gente. E a coisa mais banal do universo hoje são acusações. Chega a parecer que, se você não for acusado de nada, aí é que você deve ser suspeito mesmo.

Acho interessante que as acusações contra Bergoglio que li são ainda vagas. “Conviveu pacificamente com a ditadura”. A luta armada comunista não me parece nem obrigação moral, nem critério para medir o resto da humanidade. “Responsável pela prisão de dois padres”. Como? Ele chegou na polícia e os denunciou? Realmente, se alguém tiver um texto detalhado de fonte razoável, pode me mandar.

Esse clima acusatório todo serve para diferenciar as pessoas que querem falar com responsabilidade daquelas que não querem. Se você fica repetindo que fulano é acusado disso, acusado daquilo, sem ter prova nenhuma, sem que o assunto tenha sido decidido pela justiça ou algo assim, você está contribuindo para difamar uma pessoa e está indo contra o princípio da presunção de inocência. Aliás, São Francisco de Sales disse que o maior bem terreno que possuímos (ou o segundo maior, preciso achar o livrinho aqui) é o bom nome. Se você achar que não, e que não há problema em ficar dizendo “fulano, acusado de” enquanto desconhece provas da acusação, podia ao menos imaginar esse tratamento dispensado a você mesmo.

E lembrar deste poeminha de Yeats: The Leaders of the Crowd.

Autor: Pedro Sette-Câmara

www.pedrosette.com