Um problema para todos os futuros Papas?

O beato João Paulo II foi o primeiro Papa a conviver com avanços da medicina que permitiram que sua vida fosse muito estendida. Assim como diversas outras pessoas de sua geração, e que dispunham de atendimento médico de primeira qualidade, ele pôde viver bem mais do que poderia ter vivido alguém em décadas anteriores. Contudo, é razoável perguntar se, durante todos aqueles anos em que a saúde do Papa esteve precária, o governo da Igreja não ficou de algum modo abalado.

Não cabe a mim julgar o sucessor de Pedro. Mas aqueles cardeais que puderam acompanhar de perto os anos finais de João Paulo II talvez tenham, em seu coração, estimado que nem sempre o Papa estava apto a, digamos, exercer suas funções da melhor maneira possível. Afinal, uma coisa é permanecer vivo e poder preparar a própria morte; outra é permanecer vivo e capaz de governar a Igreja.

Quando Bento XVI renuncia por causa da idade – e dia 20 de janeiro eu mesmo estive na Praça de São Pedro para o Angelus e achei sua voz bastante debilitada – , pergunto-me se ele mesmo não estava pensando em seu antecessor, e desejando que as muitas pessoas que dependem do Papa não fossem vitimadas por sua situação precária.

A menos que tenha uma morte fulminante, ou uma doença rápida, o sucessor de Bento XVI se verá na mesma situação: a medicina e os cuidados podem mantê-lo vivo, mas daí a ele ser capaz de enfrentar a carga de trabalho do papado são outros quinhentos. E então, que fazer? O aumento da expectativa de vida vai criar a tendência de renúncia dos Papas? Será que, após o choque da renúncia de Bento XVI, virá apenas a mera expectativa de que os próximos Papas saibam a hora de parar? Em vez de se perguntar se devem renunciar, vão passar a rezar apenas para pedir a graça de saber quando renunciar?

Oremos pelo Papa Bento XVI.

Autor: Pedro Sette-Câmara

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