Sempre a polícia de preços

Talvez seja possível dizer que O Globo é um jornal mais pró-mercado, pró-liberdade econômica, do que o contrário. Estou dizendo isso dessa maneira porque provavelmente o jornal ecoa a opinião geral, de que “deve haver limites à liberdade econômica”. No entanto, volta e meia o jornal resolve encarnar o papel de polícia dos preços. Fiscais do Sarney, o quarto poder (se você é muito jovem, vá procurar o que são os, ou as, “fiscais do Sarney”).

Hoje acordo e lá está aquela matéria que sempre retorna sobre preços “abusivos” de estacionamentos. O pior é que estacionamento não é nem mesmo, digamos, um bem essencial sobre o qual alguém exerça alguma espécie de monopólio. Não é, digamos assim, como a renovação da carteira de motorista, que aqui no Rio custa uns 100 para o Detran, mais a taxa da clínica, e mais um monte de aporrinhação só para você poder continuar fazendo o que sempre fez. Estacionamento em certos lugares é um bem totalmente opcional.

De todo modo, o que não dá é ficar reclamando que o Brasil está sempre mal nos índices de liberdade econômica e depois ficar chamando a polícia do preço nos estacionamentos. O pior é que não consigo dizer que estacionamento é um negócio e compra quem quer sem sentir aquela vergonha idiota por estar dizendo o óbvio. Se eu fosse marxista, diria que isso é apenas uma estratégia do grande capital (que não há de se incomodar com o alto preço de um estacionamento) para aliciar a classe média (que sofre com o alto preço de um estacionamento).

Autor: Pedro Sette-Câmara

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