Imigrantes e indústrias

Temos alguns milhares de imigrantes haitianos entrando pela fronteira no Amazonas. E o que seria isso para, rufem os tambores, soem as trombetas, a sexta maior economia do mundo? Aparentemente é demais, porque o nosso querido governo quer fechar a fronteira e só deixar entrar quem já recebeu visto no Haiti. Hoje alguma autoridade dizia que “o Brasil não pode assumir o Haiti”. Diria eu: pode sim. Claro que sob algumas condições.

O que sucede não é diferente do que já sucede desde… sempre? Temos um péssimo ambiente de negócios, e é por isso que toda hora o governo em todas as suas esferas fala em dar incentivos. Os Sacerdotes do Templo de Syrinx se reúnem em Brasília e decidem: vejam, este é um setor “estratégico”, vamos desviar a grana do pessoal que paga impostos para cá, ou vamos dispensar os empresários desse ramo desse ou daquele imposto. É claro que esse processo jamais é influenciado por lobbies ou por doações financeiras, por isso nem vou discutir a idoneidade dos Sacerdotes do Templo de Syrinx.

Nosso governo então olha os imigrantes e pensa: não estamos querendo incentivar a vinda daquilo que parece uma peãozada sem diploma que nem português fala. Preferimos dar incentivos para empresas milionárias.

Preciso agora concluir dizendo o óbvio? Não é preciso conter quatro mil imigrantes, nem ficar dando shakes de proteína para Setores Eleitos da Economia. Basta – caramba, sinto-me tão democrático ao dizer isso – melhorar o ambiente de negócios para todos. E aí, quem sabe, algum haitiano poderá virar milionário no Brasil.

Autor: Pedro Sette-Câmara

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