Oportunidade para estadistas

É uma pena que a burocracia não prime pela inovação (no bom sentido). Vou enunciar uma demanda e, como não sou responsável por um território, cabe àqueles que forem considerar atendê-la.

Eu e boa parte dos meus amigos somos, para usar um palavrório mais ao gosto do destinatário, trabalhadores informacionais altamente qualificados. Não precisamos de escritório fora de casa, nem de empregados, nem de nada. Só de um computador, de uma conexão com a internet e de alguns livros. Ter acesso a uma biblioteca fantástica seria maravilhoso, mas a experiência mostra que temos conseguido viver sem isso.

Imaginemos um território que ofereça facilidades jurídicas para gente como eu. Se, em vez de ter de abrir uma empresa, de ter um alvará, de pagar um contador e de entender de legislação só para traduzir um livro dentro da lei, eu puder pagar um pequeno imposto e preencher só um pequeno formulário, e os preços em geral forem menores do que os do Rio (que, Deus do céu… É melhor ir morar em Paris, que é mais barato), pego o avião amanhã mesmo. Não é nem por não gostar do Rio. Quem me conhece sabe que sou um carioca ideológico (que não vai a blocos de carnaval nem gosta de tomar chope), convencido, como todo carioca, de que o Rio é o melhor lugar do universo (e mesmo em Paris, eu sentiria ou sentirei saudades do calçadão). Ainda assim, está caro demais.

Nós, trabalhadores informacionais, tradutores, escritores, programadores, designers etc., nós que só precisamos do nosso computador e de um pouco de silêncio, nós somos ordeiros, educados, gentis, só detestamos ter de abandonar nossas atividades para preencher os requisitos legais para desempenhá-las. Caro governante: estamos esperando o seu território abrir-se para nós. Se você facilitar a entrada de capitais e o câmbio, os pagamentos que recebemos serão a alegria dos bancos do seu país.

Autor: Pedro Sette-Câmara

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