Propriedade intelectual: uma pequena meditação

Quando leio que uma empresa de informática como a Apple ou a Microsoft têm trocentas mil patentes, e que elas vivem a processar-se entre si por violações de patentes, sempre penso no seguinte. O livro que você lê é uma invenção relativamente moderna e está repleto de — olha só que termo bonito, vou encher a boca para falar — tecnologias da informação. Graças à contribuição de diversos (não sei se anônimos; os livros que me diriam isso estão guardados há alguns anos…) arquitetos da informação você pode contar com várias invenções que considera naturais, como números de páginas, um índice de conteúdo, notas de rodapé, índice analítico, índice onomástico, tipografia de fácil leitura, tamanho portátil e outras coisas que você ainda pode imaginar. Tente pensar num livro medieval: imenso, tinha de ser lido de pé; as letras eram trabalhadíssimas e por isso não facilitavam a leitura; e, pior, muitas vezes o latim vinha abreviado, como se os copistas escrevessem “vc” no lugar de “você” e “bjs” no lugar de “beijos”.

Pagar royalties para aquela gente toda, já pensou?

Autor: Pedro Sette-Câmara

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