Kiss and tell, tudo mentira

Isto tudo é verdade verdadeira:

O ponto é: ensina-se poesia, aqui, como uma justificada sucessão de assassinatos, até que, finalmente, se chegue ao modernismo mais chinfrim, do tipo “amor: humor”, como se chega ao paraíso. Imaginem um professor italiano dizendo que Ungaretti, sim, é que é bom, e aquele almofadinha do Carducci faz muito bem em ficar na penumbra; ou um francês dizendo que Apollinaire salvou a França do rendilhado de Gautier; um alemão afirmando que Celan estirpou a praga de Rilke… — seria caso de polícia, acreditem. No Brasil não; e a criançada continua aprendendo que “amor: humor” é ‘a’ poesia brasileira de verdade, enquanto “Ora o surdo rumor de mármores partidos” não passa de afetação…

Em meu último semestre na Faculdade de Letras falei algo semelhante para a professora da matéria de Literatura Brasileira II: “Por que se ensina que o modernismo veio em 1922 para nos salvar dos almofadinhas? Não tínhamos Machado, Augusto dos Anjos? Quem precisava de salvação?” A professora disse que havia Coelho Neto. Façamos pois um movimento literário contra a Hebe Camargo.

Dito de outro modo, a história da poesia brasileira ensinada nas escolas é um kiss and tell cujo kiss nunca aconteceu e cujo tell é prá lá de chinfrim. Agora, a mulher que foi difamada pelo idiota que diz que a beijou volta de panela na mão para arrebentar o safado.

Autor: Pedro Sette-Câmara

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