O segundo turno é uma bênção para o PT (e para o Brasil)

Creonte, cheio de si por ter defendido a cidade de Tebas, achou que podia legislar qualquer coisa. Édipo, cheio de si por ter derrotado a esfinge, achou que ele mesmo ia acabar com a peste em Tebas. O PT pode ficar cheio de si por ter conseguido a proeza inenarrável, que será cantada em verso e prosa daqui a gerações, de não destruir o Plano Real, de manter a estabilidade macroeconômica, e realmente aloprar no seu desenvolvimentismo.

Mesmo que Dilma ganhe as eleições presidenciais, o que parece altamente provável (vejamos, aliás, se Marina Silva será o Nick Clegg brasileiro), temos um mal menor se ela perceber que a vitória é árdua, que a oposição existe e que a lei, escrita ou não escrita, é mais importante do que qualquer oportunidade política. Essa observação, é óbvio, valeria igualmente para Serra ou para qualquer um que venha a assumir qualquer cargo.

Autor: Pedro Sette-Câmara

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