Um poema ateu de A. E. Housman

Meu interesse por Housman começou com a leitura da peça The Invention of Love, de Tom Stoppard (dê uma olhada no vídeo aí em cima, tem o Dr. Wilson no papel principal). Ainda não li A Shropshire Lad, mas esbarrei com um de seus poemas no finalzinho de um de meus livros favoritos, a coletânea de light verse (“verso ligeiro”) preparada por W.H. Auden, um de meus gurus. E, já que o tema esteve presente aqui há pouco, este livro foi um dos melhores presentes que já recebi.

No ano passado, tentei fazer um exercício de empatia com a psicologia atéia, e não fui recebido, digamos, com a boa vontade que esperava. No matter. Até porque o que me interessa mais é observar as reações, e eu fiquei curioso demais para saber como os ateus de hoje reagiriam ao ateu latinista de Cambridge, também poeta.

The laws of God, the laws of man,
He may keep that will and can;
Not I: let God and man decree
Laws for themselves and not for me;
And if my ways are not as theirs
Let them mind their own affairs.
Their deeds I judge and much condemn,
Yet when did I make laws for them?
Please yourselves, say I, and they
Need only look the other way.
But no, they will not; they must still
Wrest their neighbour to their will,
And make me dance as they desire
With jail and gallows and hell-fire.
And how am I to face the odds
Of man’s bedevilment and God’s?
I, a stranger and afraid
In a world I never made.
They will be master, right or wrong;
Though both are foolish, both are strong.
And since, my soul, we cannot fly
To Saturn nor to Mercury,
Keep we must, if keep we can,
These foreign laws of God and man.

A. E. Housman

Autor: Pedro Sette-Câmara

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