O fetiche da educação

Um dos truísmos mais repetidos por pessoas bem-intencionadas é que “o problema do Brasil é a educação”, ou que “o país não progredirá enquanto não melhorarmos a educação”. Isso, porém, é falso.

O que é necessário para o famoso progresso nacional é a melhora das instituições, a segurança jurídica, a tranquilidade em relação à propriedade, a facilidade para empreender.

Se você tem muita educação, mas não tem mercado em que as pessoas possam trabalhar, não tem oportunidades para essa gente toda, acaba ficando com 45 pessoas com PhD fazendo concurso para gari*. Há também o famoso brain drain, também conhecido como “fuga de cérebros”. Afinal, você não estuda astrofísica para esperar pelo concurso para gari.

(Não venham dizer que é injusto a pessoa estudar em universidade pública e depois sair do país. A pessoa paga impostos, e nunca para de pagar, faça faculdade pública ou não. Na pior das hipóteses, estão todos quites.)

Os americanos têm uma expressão de que eu gosto muito, to throw money at the problem, “jogar dinheiro no problema”. Não adianta “investir em educação”. O governo formará uma geração de garis eruditíssimos, que, pendurados no caminhão da Comlurb, com suas roupas laranja, discutirão as diferenças na fixação dos textos da poesia grega antiga. Eu mesmo já me vejo indo perguntar a alguma simpática varredora de rua se ela considera correta a colocação da vírgula antes ou depois de “Echô” no último verso do Epigrama XXVIII de Calímaco.

Mas não é preciso especular. Já conhecemos engenheiros que dirigem táxis. E quem foi a Cuba e à Rússia já falou de mulheres que sabem física nuclear e trabalham no ramo da satisfação humana. Investimentos em educação, altos impostos, legislação ininteligível, 152 dias para abrir uma empresa: seguindo esse caminho, um dia nossas filhas poderão juntar-se a suas irmãs proletárias daqueles países em que o governo decide tudo e protege as pessoas do maldoso mercado.

*Tanja Krämer lembrou dessa notícia.

Autor: Pedro Sette-Câmara

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