Auto-estima = hetero-estima

A “auto-estima” é um dos mais vulgares mitos românticos. Mito porque é uma mentira criada para encobrir uma verdade desagradável. Romântico porque se baseia na crença de que é uma estima que tem origem no próprio indivíduo: é “auto”-estima. Para falar de auto-estima, as mulheres* vão usar frases como “gostar de si mesmo”. E umas dirão que outras se deixam manipular por ter problemas de auto-estima: “se fulana gostasse mais de si, encontraria um homem que a tratasse melhor”.

Besteira. A auto-estima nada mais é do que uma hetero-estima, uma estima que vem dos outros. Quer aumentar a auto-estima de uma mulher? Faça com que ela receba elogios de pessoas a quem ela atribui prestígio – essa última parte é muito importante. Não pode ser um elogio de qualquer pessoa. Por outro lado, palavras de reprovação de quase qualquer pessoa podem ter um efeito negativo. “Até XXXX me acha gorda / feia / burra”. Sim, bem-vinda, esse é o inferno mesmo: o elogio valioso é escasso e de efeito rápido, a reprovação é abundante e de efeito duradouro.

Pense na expressão “auto-estima” e entenda o famoso “poder do mito”.

*Falo em “mulheres” porque não me parece que seja muito macho ter preocupações com “auto-estima”. Se você acha que não, leitora, imagine o efeito deplorável que teria sobre você uma declaração do seu namorado a respeito de seus próprios problemas de auto-estima.

Autor: Pedro Sette-Câmara

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