Uma modalidade elegante de achaque

Hoje, no OrdemLivre.org, meu texto que foi publicado na edição de abril da revista Continente:

A idéia de que o governo deve subsidiar algo sempre esconde o corporativismo. Os maiores beneficiados pelos subsídios são os produtores. Naturalmente, estes, sejam agricultores ou cineastas, sempre dirão que seus produtos são fundamentais para a sociedade, e sua retórica será mais convincente de acordo com sua natureza. Um produtor de trigo pode assustar as pessoas com a possibilidade da falta de pão, mas vai ser difícil alguém nos assustar com a possibilidade da falta de filmes nacionais. Na verdade, pão e cinema podem ser viabilizados por seus consumidores; cabe a eles “subsidiar” estes produtos. Ao contrário do que se pensa, a maior beleza das relações livres de trabalho está em ter de prestar atenção no outro; você atende à necessidade de outro, e recebe por isso. Por que receber por um produto que ninguém quer?

Autor: Pedro Sette-Câmara

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