Ultimate Taboo

Esse post também poderia se chamar The U Word.

É que sempre penso que todas as minorias estão “batalhando por seu espaço” e querendo ser reconhecidas e amadas e celebradas por aquilo que elas são. Mas a nossa sociedade ainda precisa dar um passo muito importante. Existe uma minoria que não se assume, que se sente intimidada, que não realiza a sua parada oficial na praia de Copacabana, que não tem a sua semana, que não tem nada.

A minoria das pessoas feias.

Ou não é uma minoria. Mas é no sentido de que a nossa sociedade falocêntrica patriarcal capitalista nos obriga a favorecer apenas as pessoas bonitas, impondo a beleza como padrão – e impondo a beleza até mesmo como padrão de beleza. Não existem, por exemplo, mocréias entre as angels da Victoria’s Secret, embora a Playboy algumas vezes pareça estar na vanguarda e já praticar um certo sistema de cotas. Mas o fato é que não há barangas nos comerciais de lingerie, e o isso tudo que está aí nos impõe a Ana Beatriz Barros como se ela representasse a realidade da mulher mundial.

Não se trata, é claro, de questionar a vida erótica das pessoas feias. Todos sabemos que a feiúra nunca foi um impedimento para o uso dos orifícios corporais. Estou falando de outra coisa, que é a pessoa feia ter o direito de estar sempre confortável, de poder se assumir exatamente assim. Do direito de a pessoa feia fazer as cabeças de todos se virarem. De ser tão assediada quanto uma pessoa bonita. Depois de o gênero ter sido descolado do sexo, é hora de a beleza ser descolada do direito à atratividade.

Isso é o que eu vejo. Que a nossa sociedade não quer enfrentar o tabu da feiúra. Que a celebração da diversidade tem um limite e o manto da hipocrisia cobre o tratamento dispensado a boa parte das pessoas apenas porque elas não se encaixam em certos padrões. É hora de criar ministérios, secretarias, planejar políticas públicas para erradicar a praga da discriminação pela feiúra.

Autor: Pedro Sette-Câmara

www.pedrosette.com

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