Uma versão inferior

Tenho feito um esforço para não publicar grandes generalizações, mas esta é irresistível – sobretudo o final, que negritei. Com vocês, G.K. Chesterton:

A essa altura deve ser óbvio que cada coisa da Igreja Católica condenada pelo mundo moderno foi reintroduzida pelo mundo moderno, e sempre em versão inferior. Os puritanos rejeitaram a arte e o simbolismo, e os decadentistas os trouxeram de volta, com todo o antigo apelo à razão e um apelo adicional à sensualidade. Os racionalistas rejeitaram a cura sobrenatural, e ela foi trazida de volta por charlatães ianques que não só anunciavam a cura sobrenatural como proibiam a natural. Os moralistas protestantes aboliram o confessionário, e os psicanalistas reestabeleceram o confessionário com todos os perigos que lhe eram atribuídos, e nenhuma das proteções que se lhe admitia. Os patriotas protestantes ressentiam-se da intrusão de uma fé estrangeira, e criaram um império emaranhado em finanças estrangeiras. Após ter reclamado que a família era insultada pelo monasticismo, viram-na dilacerada pela burocracia; após ter objetado contra os jejuns recomendados a todos durante um período excepcional, viram abstêmios e vegetarianos tentando impor a todos o jejum perpétuo.

Autor: Pedro Sette-Câmara

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