Premissas & guerra cultural

Quando digo que há duas posições políticas básicas – ou você é a favor de o governo resolver um assunto, ou é a favor de indivíduos privados resolverem espontaneamente – sei perfeitamente que descarto a doutrina marxista da luta de classes. Estou trocando de categorias. E é exatamente isso que pretendo fazer. Sei bem, como já dei a entender em vários domingos com poesia (que voltarão, lembrem), que é importante entender as coisas também a partir daquilo que elas não são.

Também sei que um marxista pode simplesmente dizer que a minha postura não passa de superestrutura ideológica, de um condicionamento de classe. E sei que um debate entre nós é impossível até que encontremos alguma premissa em comum.

Em termos de guerra cultural, isso é totalmente irrelevante. O que interessa é conseguir jogar o máximo de premissas no senso comum. As idéias correntes não são superadas, mas simplesmente substituídas. Certamente há muitas premissas marxistas no senso comum, como a idéia de que os objetos produzidos têm alguma espécie de valor objetivo, quando na verdade seu valor é puramente subjetivo, isto é, determinado pelo mercado, que nada mais é que a soma das escolhas livres das pessoas. Por outro lado, um nome como “social-democracia” já parece dar a entender o meio do caminho entre um estado grande e um estado pequeno, isto é, um meio-termo entre as posições de deixar a solução dos problemas a cargo de indivíduos privados ou do governo. Não há um pressuposto de luta de classes nele.

Pessoalmente, acho que é muito mais proveitoso, neste momento, afirmar e reafirmar os valores positivos em que se acredita. Se você simplesmente reagir aos atos e discursos da esquerda, você será o tempo todo pautado pela esquerda. Eu não quero que a minha vida seja pautada pela esquerda: prefiro eu mesmo pautá-la. Por isso continuarei reafirmando minha crença na liberdade humana, alienando propositalmente o marxismo e chamando seus adeptos daquilo que são: nada mais do que pessoas que querem mandar na minha vida.

Autor: Pedro Sette-Câmara

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