Alberto da Cunha Melo, + 08.04.1942 – 13.10.2007

Ontem recebi um telefonema com uma notícia terrível: o falecimento do poeta pernambucano Alberto da Cunha Melo, cuja obra já me rendeu muitas horas de entusiasmo. Recomendo sobretudo Yacala, que está no volume Dois caminhos e uma oração.

Já escrevi sobre um poema de Alberto da Cunha Melo, que está no mesmo volume.

Deixo-os com um de seus poemas mais citados, que mereceu tradução inglesa de Bruno Tolentino e é talvez um “clássico instantâneo”:

Casa vazia

Poema nenhum, nunca mais,

será um acontecimento:

escrevemos cada vez mais

para um mundo cada vez menos,

para esse público dos ermos

composto apenas de nós mesmos

uns jõoes batistas a pregar

para as dobras de suas túnicas,

seu deserto particular,

ou cães latindo, noite e dia,

dentro de uma casa vazia.

Autor: Pedro Sette-Câmara

www.pedrosette.com