A Treasury of Traditional Babaquice

Um dos maiores blefes do universo é o livro A Treasury of Traditional Wisdom, que supostamente reuniria documentos que demonstram que todas as religiões (ou tradições, como queira) têm uma percepção convergente do mundo espiritual.

Tomando o que o autor, Whitall Perry, faz com o Cristianismo, podemos dizer que o problema do livro é um só: ele ignora o que estas “tradições” dizem de si mesmas. Para Perry, William Shakespeare é um intérprete tão autorizado do Cristianismo quanto Santa Teresa de Ávila.

A idéia é tão exótica que me leva a crer que a interpretação que Perry faz do hinduísmo (de que não entendo lá muita coisa) deve ser comparável à do clássico Rivaldo, sai desse lago:

Ou, melhor dizendo, a idéia não é exótica nem desastrada. É apenas um truque para fazer você engolir uma visão de cada religião que não está de acordo com o que nenhuma delas pensa de si mesma. Subitamente, Perry se torna um intérprete de todas, sem ser interpretado por nenhuma, e o mané que o lê, o mesmo que não vai à missa, que se acha puro e excelso demais para confessar-se com um pobre padre pecador, negando aliás toda a teologia do ex opere operato, está logo explicando que o problema de todas as religiões, ora!, é não fazer o que ele acha que elas deveriam fazer.

A obra de Perry é mesmo muito aceita em departamentos universitários do primeiro mundo civilizado e sublime. Os mesmos departamentos que estão cheios de membros que eram colegas de Perry na tariqat de Frithjof Schuon.

Anda, Rivaldo, sai desse lago!

Autor: Pedro Sette-Câmara

www.pedrosette.com