Distorções da linguagem política

Continuando um post anterior, Parket T. Moon, citado por Tom Palmer:

Muitas vezes, a linguagem obscurece a verdade. Com maior freqüência do que percebemos, nossos olhos são cegados para os fatos… por truques da língua. Quando usamos a simples palavra “França”, pensamos na França como uma unidade, uma entidade. Quando, a fim de evitar uma desagradável repetição, usamos um pronome para designar um país, como em “a França enviou suas tropas para conquistar Túnis”, atribuímos não apenas unidade como também personalidade ao país. As palavras mesmas escondem os fatos fazem das relações internacionais um drama glamuroso em que os atores são nações antropomorfizadas, e com grande facilidade esquecemos dos homes e mulheres de carne e osso que são os atores de verdade. Como seria diferente se não existisse uma palavra como “França”, e tivéssemos que dizer que trinta e oito milhões de homens, mulheres e crianças de diversos interesses e crenças, que habitam 218.000 milhas quadradas! Assim, poderíamos descrever a expedição a Túnis de maneira mais precisa, como esta: alguns destes trinta e oito milhões mandaram outros trinta mil conquistar Túnis. Esta maneira de apresentar o fato imediatamente sugere uma questão, ou uma série de questões. Quem são os poucos? Por que mandaram os trinta mil a Túnis? E por que eles obedeceram?

Daí que eu diga: se a pergunta “você lutaria para que o Brasil continue com a Amazônia?” passa a ser formulada como “você lutaria para que o governo federal brasileiro continue a achar que ocupa a Amazônia?”, ela muda completamente…

Autor: Pedro Sette-Câmara

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