Algumas observações sobre a prostituição

Este texto se refere ao post anterior do Sergio.

Não custa observar que ainda que o Islam aceite a poligamia ela não é tão comum quanto se imagina. A primeira esposa precisa consentir com os novos casamentos e o marido deve prover uma série de coisas para cada uma delas. Só se casa mais de uma vez, portanto, quem tem dinheiro e uma esposa tolerante. Isto não invalida os argumentos do Sergio, mas fica a ressalva de que se referem a um Islam hipotético.

Também não acredito que o acesso fácil e desestigmatizado a sexo pago fosse melhorar a vida psicológica de ninguém. Não costumo fazer este tipo de observação, mas me parece que a situação já é mais ou menos esta. Morador de Copacabana que sou, não posso dizer que não sei onde encontrar prostitutas – a três quadras de casa, na Avenida Atlântica. Também não consigo imaginar muita gente (quase ninguém, e todos os que consigo são religiosos praticantes) que fosse ficar escandalizada se alguém dissesse que recorreu a uma delas.

O que há mesmo é despersonalização do sexo, e o acesso fácil a prostitutas só contribuiria para isto. Qualquer um pode experimentar o fato de que o sexo é uma pulsão. Mas se a pulsão não for submetida a um relacionamento pessoal, isto é, de pessoa para pessoa, não de animal para animal, terá na verdade um efeito escravizante sobre a alma. Aliás, nada a escraviza mais do que ceder a todos os impulsos. E se o sexo tem, de todos os impulsos, as conseqüências mais sérias, mais atenção ainda lhe deve ser dada. Aliás, falando francamente, acho que se a maior parte dos homens não fosse submetida à obrigação de conquistar as mulheres, dificilmente sairia da tosquice. A civilização é, em grande parte, um comportamento decente que mantemos na presença de senhoritas…

Aproveito para dizer que não defendo a criminalização da prostituição, e apóio até a criação de áreas específicas para elas nas cidades. Mas não posso apoiar sua desestigmatização. Não acho boa idéia proibir os ateus de falar mal dos católicos, nem proibir os católicos de falar mal das prostitutas e de seus clientes.

Autor: Pedro Sette-Câmara

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