Otimismo quanto à Europa?

First Things é um de meus sites favoritos há muito tempo. O editor, Richard John Neuhaus, acaba de publicar um ótimo texto a respeito do livro recente de Philip Jenkins, God’s Continent: Christianity, Islam, and Europe’s Religious Crisis. Vai um trecho traduzido; leiam tudo.

Os europeus querem que os muçulmanos sejam assimilados, mas assimilados a quê? Uma feminista muçulmana afirma: “Uma vez me perguntaram se a Alemanha era minha pátria. Só posso dizer que nem os alemães consideram a Alemanha sua pátria. Como é que vamos nos integrar a um lugar como este?” Os imigrantes chegam aos EUA para fazer parte do “sonho americano”. Como disse um escritor francês no Libération, “Não existe sonho francês, holandês ou europeu. Emigra-se para cá fugindo da pobreza, e só.” Apesar das menções freqüentes a analogias com a experiência americana, Jenkins em outros momentos ressalta as diferenças: “O forte sentido de identidade nacional dos EUA deve muito àquilo que ainda é um grande consenso subjacente a respeito de direitos e valores. Nos Estados Unidos, uma pessoa que defenda idéias intolerantes ou antidemocráticas é condenada por anti-americanismo e por violar os princípios da Constituição à qual todos juramos fidelidade… A Europa não oferece nada semelhante, nem mostra qualquer sinal de que vá oferecer… Talvez, se fôssemos deduzir um conjunto de valores “principais” dos últimos 150 anos da história européia, encontrássemos o autoritarismo, o militarismo e o hiper-nacionalismo, e não o pluralismo e a liberdade.”

Autor: Pedro Sette-Câmara

www.pedrosette.com