Encerrando a questão de chaga x praga

O bom Mauro, do Diacrônico, chamou-me a atenção para uma grande obviedade. Enquanto eu perdi tempo consultando dicionários e as traduções diferentes da Sacramentum Caritatis, bastava continuar a ler:

Trata-se dum problema pastoral espinhoso e complexo, uma verdadeira praga do ambiente social contemporâneo que vai progressivamente corroendo os próprios ambientes católicos. Os pastores, por amor da verdade, são obrigados a discernir bem as diferentes situações, para ajudar espiritualmente e de modo adequado os fiéis implicados.(92) O Sínodo dos Bispos confirmou a prática da Igreja, fundada na Sagrada Escritura (Mc 10, 2-12), de não admitir aos sacramentos os divorciados re-casados, porque o seu estado e condição de vida contradizem objectivamente aquela união de amor entre Cristo e a Igreja que é significada e realizada na Eucaristia. Todavia os divorciados re-casados, não obstante a sua situação, continuam a pertencer à Igreja, que os acompanha com especial solicitude na esperança de que cultivem, quanto possível, um estilo cristão de vida, através da participação na Santa Missa ainda que sem receber a comunhão, da escuta da palavra de Deus, da adoração eucarística, da oração, da cooperação na vida comunitária, do diálogo franco com um sacerdote ou um mestre de vida espiritual, da dedicação ao serviço da caridade, das obras de penitência, do empenho na educação dos filhos.

Agora o melhor é deixar o Mauro falar:

O primeiro trecho que eu negritei indica que, de fato, se quis dizer “praga”: um mal que se alastra e deve ser combatido. Mas todo o resto (e em especial a segunda parte negritada) mostra que, na verdade, é uma chaga, que deve ser tratada. Esse é o problema das traduções: nunca serão exatas.

Autor: Pedro Sette-Câmara

www.pedrosette.com

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