Sobre a Opus Dei

Volta e meia eu recebo um e-mail pedindo a minha opinião sobre a Opus Dei (ou “o” Opus Dei, mas eu não consigo dizer “o Opus Dei”). As pessoas têm medo da Opus Dei. Pessoas boas, católicas ou não. Pois eis o que eu acho.

Primeiro, sempre que eu vejo qualquer coisa ser uniformemente afirmada na imprensa, não consigo acreditar nela. Se os jornais todos dizem que a Opus Dei é má, então ela deve ser boa.

Segundo, mesmo que exista alguma coisa ruim na Opus Dei, alguma pessoa ruim, isso não a invalida. Seus pais já fizeram alguma coisa de que você não gostou e nem por isso você os rejeitou eternamente. A escola que você ama tem algum defeito e nem por isso você passou a dizer que ela é ruim. Se eu perguntasse se devemos julgar uma pessoa só por seus defeitos, você diria que não; por que, então, não estender a mesma sensatez – que isso nem caridade chega a ser – a uma organização com milhares de pessoas?

Terceiro, eu conheci pessoalmente algumas pessoas da Opus Dei – numerários (aqueles que vivem em celibato, numa casa especial) e casados – e não conseguiria, nem que me esforçasse, imaginar qualquer coisa negativa delas. Já é banal, sempre que você vê uma família numerosa, bonita e educada numa igreja, uma família que parece ter saído de um filme, saber que eles são da Opus Dei. Os numerários que conheci eram homens perfeitamente normais que faziam apenas uma coisa esquisitíssima hoje em dia: agir de acordo com as próprias convicções. Ninguém nega, acho, que o novo nome da hipocrisia – professar uma coisa e não segui-la – é “moderação”. E os apologistas dessa “moderação” são invariavelmente pessoas cínicas, o contrário dos numerários: se hoje, também, nos acostumamos a admirar uma pessoa apenas por uma qualidade que ela tenha em excesso, como no culto romântico do gênio, as pessoas da Opus Dei parecem ter personalidades íntegras, admiráveis no seu todo.

Quarto, muita gente pode reclamar da Opus Dei porque ela tem uma disciplina rígida. Isso é uma questão de ignorância: o Cristianismo tem uma disciplina rígida. Se você ler as recomendações dos santos, vai ficar impressionado e certamente não sobreviverá ileso à descoberta de que o modo de vida cristão é um tanto distante da vida normal da classe média.

Quinto, você pode achar que a Opus Dei e a Igreja Católica em geral não “fazem o bem”, enquanto milhões de ONGs estão aí dedicadas a salvar o mundo. Lembre-se de que os cristãos, por determinação de Jesus Cristo, não alardeiam a caridade que fazem: a mão direita não deve saber o que faz a esquerda.

Por fim, eu mesmo não sou da Opus Dei, e não pertenço a nenhum movimento dentro da Igreja. Não quer dizer, enfim, que eu não os admire.

Autor: Pedro Sette-Câmara

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