A Escócia: conservadorismo para inglês ver

O Bruno Alves, do Insurgente, me recomendou um artigo do Matthew Parris, no London Times, a respeito da independência escocesa:

Então, por que os políticos conservadores ficam jogando água fria nos nacionalismos das nações pequenas tão insistentemente (e com tão pouco sucesso), perdendo assim o afeto de milhões de pessoas intrinsecamente conservadoras? Por que entregar a iniciativa a movimentos oportunistas, que só se devotam a esta causa? Quando, sendo o partido conservador, você tem tão poucos votos a perder em uma parte do reino em que há um governo delegado, por que não se render à realidade e abraçar o que nenhum conservador deveria ter dificuldade em abraçar: a consciência nacional de um povo?

As perguntas de Parris se referem a uma situação particularmente britânica: na Inglaterra “conservador” é o sujeito que defende o livre-mercado e ao mesmo tempo o nacionalismo (contra a União Européia, por exemplo). Mas também foi o sujeito que defendeu o poder estabelecido e o expansionismo albionês. Agora que o império se foi, e são os esquerdistas que defendem o aumento do governo, o poder da burocracia contra a vontade popular, qual é o problema que esses conservadores idiotas da Inglaterra têm que não apóiam a independência escocesa? Não são a favor da liberdade? Então comecem por dá-la a quem podem dar.

A situação tem paralelos no Brasil. Aqui, “conservador” tem discurso moralista, mas seu moralismo deriva antes do positivismo do que da religião; e o moralista religioso é protestante. A “direita” brasileira já tem gente claramente não-conservadora e claramente totalitária como Rodrigo Maia. A liberdade não tem expressão pública e a vida política brasileira se divide em dois tipos de burocratas, os fascistas e os comunistas, isto é, os dois são estatistas, burocratistas, oportunistas, variam só um pouquinho em grau e não em substância.

Autor: Pedro Sette-Câmara

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