Mensagem de Natal

Neste Natal não tenho pensado a respeito de como é a atitude intelectual correta, ou de como deve ser a atitude de aceitação de Jesus Cristo, mas em como, após ter ao menos nominalmente aderido ao Cristianismo, precisamos permanecer nele, vigilantes. É mais fácil aceitar a verdade intelectualmente do que agir de acordo com ela. Ou, como gosto de dizer, converter-se é fácil, perseverar é que é difícil.

Assim como o nascimento de Cristo em Belém, a conversão só acontece uma vez na vida – ou pelo menos eu imagino que seja assim, porque eu nasci crente e nunca consegui derrubar minha crença, embora já tenha lhe dado todos os temperos imagináveis. Não conheço “reconvertidos”, gente que saiu da indiferença ou do ateísmo consciente para a religião, voltou ao estado anterior e voltou de novo para a religião. Mas todos nós pecamos: vivemos no tempo, a conversão é um instante, logo há uma lua de mel com a religião, e depois vem o resto da vida. Para compensar a linearidade da nossa biografia individual, a Igreja oferece a ciclicidade do tempo litúrgico, para que possamos renovar o compromisso. Sim, compromisso, porque não podemos pensar que a prática da religião significa receber e receber coisas de Deus apenas. Por isso, ao rezar por alguma coisa neste Natal, não rezo tanto por piedade ou humildade, mas rezo para ter forças e disposição de progredir de alguma maneira, pensando que o Natal do ano que vem pode ser o mesmo Natal, mas é também um novo Natal.

Autor: Pedro Sette-Câmara

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