O esquerdismo é a mais perversa forma de elitismo

Atualmente gosto de dizer aos meus amigos esquerdistas que eu mesmo não sou de esquerda porque não consigo ser tão elitista assim. Por mais que eu creia que toda sociedade tem uma aristogênese; por mais que eu veja que nem todos têm as mesmas aptidões, e que os que compartilham aptidões não as têm no mesmo grau; por mais, enfim, que eu observe que o ser humano é igual em espécie e desigual em tudo mais, não consigo crer que exista uma casta de seres tão melhores e tão iluminados a ponto de ser sensato entregar-lhes o poder de coerção física da população e a missão de levar “o país” rumo ao pogréssio. Muito menos sou otário de acreditar que só porque as pessoas dizem falar em nome do “povo” automaticamente adquirem estatura moral para me governar. Francamente, isso é uma doença – moral, espiritual, o que seja.

Enunciada assim, a minha tese parece bastante razoável. Mas aos ouvidos de um marxista ela soa simplória por ignorar o famoso processo histórico e a luta de classes. Só que, assim como eu nunca vi um teórico racista que defendesse a inferioridade da própria raça, também nunca vi um marxista que dissesse: “meu lado, na luta de classes, é aquele que vai perder, o lado dos exploradores safados, dos opressores dos trabalhadores, e eu lamento muito todo este grande processo inevitável”. O marxista está sempre do lado proletário, o lado que vai vencer no final, e ele mesmo se considera mais um iluminado por acreditar ter visto, no meio do caminho da estrada de Minas, pedregosa, a máquina da história. Iluminado, iniciado, automaticamente autotransportado para uma imaginária elite onisciente, ele crê herdar do Zeitgeist em pessoa a suposta unção para me governar.

Por isto é que, em última instância, o esquerdismo político pode ser perfeitamente reduzido a um estatismo elitista da pior espécie: não apenas a experiência da Alemanha nazista, da URSS, da China, do Vietnã etc o confirmam, como até mesmo a Reprivada Petista Cleptocrática, com sua grande revolução de cargos de confiança e concursos infinitos.

Vão lamber sabão, seus estatistas canalhas. Vocês só querem se sentir superiores e oprimir as pessoas que querem ser livres, isto é, que não querem sustentar o seu governo.

Autor: Pedro Sette-Câmara

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