Método suicida

O método lulista de governar o país, se é que se pode falar em tal coisa, tem consistido em aprofundar as velhas políticas redistributivas, e aplicá-las em escala nacional. É a famosa “redistribuição de renda”, de que a esquerda sempre falou tanto.

Tirem as crianças da sala, porque vou ser mais explícito: com todo o respeito e todas as ressalvas devidas, isso quer dizer, de um lado, que o Governo expropria os cidadãos produtivos para sustentar os improdutivos; e, de outro, que expropria os Estados que produzem (como os do Sul e do Centro-Oeste), para transferir dinheiro para os Estados parasitas (como Norte e Nordeste).

Essa política, naturalmente, é um sucesso de público nos Estados beneficiados, e um fracasso nos Estados expropriados. Mesmo assim, como Norte e Nordeste são muito mais populosos, o fosso cavado entre as regiões do país garante ao Presidente sua significativa vantagem eleitoral.

Os números são da Folha:

“Nos Estados do Nordeste, entre 42,1% e 50% da população vive em famílias atendidas pelo Bolsa Família. Na região, 46% dos trabalhadores e beneficiários da Previdência recebem salário mínimo. Lula teve de 56,1% a 80% dos votos válidos no Nordeste, seus recordes. Na região Norte, onde o Bolsa Família atinge entre 26,1% e 42% da população e o salário mínimo, 31% dos trabalhadores e beneficiários da Previdência, Lula teve entre 44,1% e 68% dos votos válidos. Norte e Nordeste também foram as regiões onde o comércio teve um desempenho superior à média nacional. No Nordeste, cresce quatro vezes mais. Nas demais regiões (Centro-Oeste, Sudeste e Sul), a votação de Lula seguiu a mesma tendência. Nelas, o Bolsa Família atinge entre 10% e 26% dos habitantes e o salário mínimo entre 18% e 23%. Lula teve entre 20% e 44% dos votos válidos. O desempenho de Geraldo Alckmin (PSDB) seguiu exatamente o mesmo padrão, mas de modo inverso. Onde há menos programas sociais e pessoas recebendo salário mínimo, o tucano teve mais votos.”

Acontece que a geração de riquezas depende de produtores, investidores, empreendedores e agricultores sérios. O país não cresce com políticas de esmola estatal, nem com a expansão do MST.

O problema é que ninguém agüenta ser expropriado para sempre.

Assim, o aprofundamento dessa política, por mais que garanta o sucesso do messianismo lulista, vai resultar em margens de crescimento cada vez menores, a ponto de gerar a desindustrialização do país. Os produtores estão sendo desestimulados de produzir, os empreendedores estão sendo desestimulados de crescer, a indústria agrícola está sendo desprestigiada em prol de modelos rudimentares de agricultura.

A política redistributiva é absolutamente insustentável, porque sobrevive de sugar os recursos gerados por aqueles que ela mesma se encarregará de destruir.