Edmund Phelps

Leiam a resenha de David Gordon sobre o livro que o último ganhador do Prêmio Nobel de Economia publicou em 1997 (“Rewarding Work: How To Restore Self-Support to Free Enterprise”).

É fato que Phelps não é nenhum liberal clássico, mas esse seu trabalho foi usado aqui no Brasil para criticar defensores da redução dos encargos trabalhistas, como se fosse um exemplo de defesa intelectual do intervencionismo estatal no mercado de trabalho.

Gordon mostra que não é bem assim. A idéia de Phelps é a seguinte: (i) considerando que, ao contrário do que dizem os liberais, o livre mercado não garante o pleno emprego, é importante garantir que as pessoas menos qualificadas sejam empregadas e remuneradas de forma razoável; (ii) considerando ainda que aumentar o salário mínimo ou implementar programas estatais de qualificação são idéias fadadas ao fracasso, (iii) resta garantir que o Estado forneça subsídios às empresas em troca da contratação de funcionários menos qualificados.

Phelps admite que esses subsídios podem ser dados na forma de redução dos encargos trabalhistas, ou seja, das taxas que o empregador é obrigado a pagar ao Estado “em favor” de seus empregados. Ora, isso é rigorosamente o mesmo que dizer, ainda que forma transversa e quase rocambolesca, que a redução dos encargos trabalhistas implicará a redução do desemprego.