A burocracia quer acabar com a alegria televisiva

“Não há uma referência só que valha para o Brasil, mas é interessante tomar o exemplo europeu, onde o instrumento regulatório é que se adapta à uma visão estratégica das nações”, comentou o jornalista Gustavo Gindre, do coletivo Intervozes. Ele citou o caso da União Européia em contraponto ao processo brasileiro, que vem sendo caracterizado por leis que vêm para justificar fatos consumados pela mídia de mercado. Na Europa, há política de cotas de conteúdo independente e regional, que as emissoras devem cumprir como forma de incentivar o setor audioviosual. “Precisamos ter muito cuidado com o que é regulação de conteúdo. Indústria da produção no Brasil é frágil”, rebateu Antônio Teles, da Rede Bandeirantes. “O desafio é superar senso comum de que regular conteúdo é censura, em vários locais a regulação é exatamente dar este incentivo, mas para abrir o setor audiovisual e não manter sua estrutura verticalizada como é no Brasil”, devolveu Gindre.

Matéria enviesada da Carta Maior

Quando eu era criança, os cinemas eram obrigados a exibir chatos, chatíssimos curtas-metragens brasileiros antes do filme que o espectador tinha pago para assistir. Era comum toda a platéia conversar, como se nada estivesse passando. Ao menos no caso da TV é mais fácil ignorar o que não se quer ver.

Do ponto de vista dos exibidores, porém, o caso é diferente: está-se limitando o seu atendimento ao público. É como se obrigassem o McDonald’s a vender jiló orgânico com alfafa na hora do almoço. A ausência de competição também tenderá a diminuir a inovação televisiva, pois os empresários hão de preferir as fórmulas mais garantidas de sucesso.

E, no fundo do coração, todos sabemos que isso é censura sim. Você, burocrata, você, que se crê um iluminado e quer impor seu gosto às massas ignaras, você odeia as séries americanas a que as pessoas preferem assistir. Você odeia que as pessoas se divirtam despreocupadamente enquanto você rói as unhas esperando a revolução proletária. Você, sabendo que é o chato da turma, o nerd socialista, quer apenas atrapalhar a festa, e quer usar seus carimbos e seu poderzinho para isso. O mínimo que desejo é que você tenha que assistir a todos os curtas-metragens que um dia obrigou as pessoas a tentar ignorar.

Autor: Pedro Sette-Câmara

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