Tirem os burocratas da educação

Há um movimento estudantil que usa o slogan “Nós não vamos pagar nada” – algo ingênuo, pois todos os brasileiros já pagam pelas universidades através de seus impostos, e só quem já tem a vida ganha poderia trabalhar de graça. Mas, descontando o fraseado inadequado (e dispensando os comentários sobre a educação de quem o elaborou), o slogan expressa o desejo de receber a educação do governo, em vez de ter que pagar por ela duas vezes, em impostos e mensalidades.

O desejo de pagar apenas uma vez por um serviço que se vai receber apenas uma vez é inteiramente compreensível. Incompreensível, porém, é que quase nunca ocorra às pessoas que, em vez de tentar obrigar o governo a fornecer uma educação melhor, talvez surtisse mais efeito simplesmente não pagá-lo para educar as pessoas, deixando a tarefa para os cidadãos privados.

Ao cobrar impostos, o governo impõe um pagamento e oferece um serviço cuja qualidade você pode contestar, na melhor das hipóteses, com longínquas esperanças. Se você não tem a educação que deseja, talvez seu neto venha a tê-la se houver suficiente lobby político, um determinado partido vencer as eleições etc. Já no mundo das escolas particulares (que não fossem regulamentadas pelo governo como hoje), se você não está satisfeito com uma, pode simplesmente mudar para outra.

Antes que você diga que essa é uma visão elitista, e que as pessoas mais humildes não teriam dinheiro para pagar escolas particulares, lembre-se de que:

1. Alunos de escolas públicas custam tanto ou mais dinheiro que alunos de escolas particulares. A escola particular precisa se manter por seus próprios esforços, que incluem a contenção de custos, e as escolas públicas têm o governo para sustentá-las. E se há algum problema de corrupção ou superfaturamento numa escola pública, o custo é de todos; numa escola privada, o problema é só daquelas pessoas que pagaram.

2. Tudo que você compra tem muitos impostos. Você dá mais dinheiro para o governo do que poderia imaginar. Os pobres também pagam os mesmos impostos, e tenho certeza de que ficariam mais felizes se pudessem guardar o dinheiro para si e decidir como gastá-lo.

3. Nunca subestime a disposição, sobretudo dos religiosos, de fazer caridade para quem realmente é necessitado. Antes de achar o autor deste artigo ingênuo, busque exemplos.

4. Antes de pensar que ainda assim haveria crianças fora da escola, lembre-se de que não existe sistema perfeito e pergunte-se o que foi que você mesmo fez para ajudar alguém.

O Estado ainda interfere na educação determinando o que é ensinado. Veja bem a frase: “o governo determina o que as pessoas podem estudar nas escolas”. Não parece nem um pouquinho totalitário? Não tem nem um jeitinho de controle mental? Por que é que vamos acreditar que um governo não tem nenhum interesse, exceto “o bem dos cidadãos”?

Se digo que o governo é que vai nos ensinar o que é a verdade, qualquer pessoa de bom senso vai franzir a testa, achando que está diante do mais ingênuo dos mortais. Não parece mais razoável que as pessoas, livremente organizadas, decidam o que estudarão, para que elas sim possam vigiar o governo e discuti-lo, em vez de ter suas mentes moldadas por burocratas do Ministério da Verdade – desculpe, da Educação?

Você não preferiria, enfim, usar seu dinheiro para estudar com pessoas verdadeiramente independentes?

Autor: Pedro Sette-Câmara

www.pedrosette.com