50 anos de teatro

Ninguém – mas ninguém mesmo – deseja submeter-se a qualquer experiência teatral contemporânea da qual possa se livrar. Basta que um meio seu rival levante a cabeça para atrair mais uma parte daquele público que um dia foi considerado do teatro. A invenção do cinema assistiu a hordas de espectadores alegremente libertados correrem para algo que lhes agradava mais. O rádio encontrou as pessoas confortavelmente recolhidas em suas casas, sem o mínimo desejo por uma excitante noite no teatro. A televisão é uma ótima desculpa para tornar a ruptura permanente. Ninguém desenvolveu ainda uma forma de entretenimento suficientemente burra ou monótona ao ponto de mandar de volta os espectadores ao aparentemente ainda mais pobre, burro e monótono teatro.

Walter Kerr. How to not write a play. New York: Simon & Schuster, 1955. p. 4

– O livro me foi vendido por um diretor de teatro…

Autor: Pedro Sette-Câmara

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