Esmola & desobediência civil

Há poucas semanas estive em Curitiba e vi um placa estatal dizendo para não dar esmolas, mas doar o dinheiro para o governo: em vez de alimentar um efetivo mendigo, eu deveria contribuir para um mundo melhor que só existe na lei e na conta bancária da cleptocracia de alto e baixo escalão que historicamente propala este discurso. Moral da história: os pobres ficam cada vez mais pobres, e os burocratas ficam cada vez mais ricos.

É muito curioso que um povo tão empreendedor como o brasileiro – pensemos na nossa vasta economia informal – seja tão pouco afeito à idéia de responsabilidade individual. Para a nossa brava gente, todos os problemas são problemas que devem ser resolvidos pelo governo, nunca pela iniciativa privada, que é sempre má e deve ser punida. O mistério, é claro, é que ninguém percebe que todos somos cidadãos privados e tudo o que fazemos livremente, sem também impor nada a outros, é iniciativa privada. A minha reles esmolinha é uma iniciativa privada. Não sei onde estava o governo quando aquele menino passava fome, mas aquelas pessoas com seus carros parados no sinal certamente o ajudaram.

Autor: Pedro Sette-Câmara

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