Bento XVI em 2002

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Q: Hoje muitos interpretam a proclamação de Cristo como uma ruptura no diálogo com outras religiões. Como é possível proclamar Cristo e dialogar ao mesmo tempo?

Cardeal Ratzinger: Eu diria que hoje há uma preponderância do relativismo. Parece que quem não for relativista é intolerante. Acreditar que alguém pode compreender a verdade essencial já é visto como algo intolerante.

No entanto, esta exclusão da verdade é um tipo de intolerância muito grave e reduz as coisas essenciais da vida humana ao subjetivismo. Assim, não temos mais uma visão comum a respeito das coisas essenciais. Cada um pode e deve decidir o que quiser. Perdemos com isto as bases éticas da nossa vida comum.

Cristo é totalmente diferente de todos os fundadores de outras religiões, e não pode ser reduzido a um Buda, a um Sócrates ou a um Confúcio. Ele é realmente a ponte entre o céu e a terra, a luz da verdade que apareceu para nós.

O dom do conhecimento de Jesus não implica a inexistência de fragmentos importantes da verdade em outras religiões. À luz de Cristo, podemos estabelecer um diálogo frutífero com um ponto de referência que nos permite ver como todos estes fragmentos de verdade contribuem para a nossa fé e para uma autêntica comunidade espiritual da humanidade.

Autor: Pedro Sette-Câmara

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