Protegendo o cinema até a morte

O governo já obrigou, ou quis obrigar, os cinemas a exibir uma determinada porcentagem de filmes brasileiros. As empresas que patrocinam filmes brasileiros podem descontar o dinheiro gasto do imposto de renda. Então eu proponho o seguinte: que o cidadão comum possa descontar do seu imposto o dinheiro gasto com ingressos para filmes brasileiros. Sim, sim: bastaria que, junto com a sua declaração, envie cópias autenticadas deles. O governo pode até sofisticar a lei, com coisas do tipo “o cidadão que ganha até 20 salários-mínimos pode gastar até 3 salários com o cinema brasileiro e descontar esse valor”.

Afinal, se o cinema é “área estratégica”, como quer o Gustavo Dahl, assistir a filmes brasileiros é dever cívico, e cabe ao Estado zelar por seu cumprimento. Por isso também tenho outra proposta: que uma alternativa ao alistamento militar obrigatório seja o alistamento na Brigada do Cinema Brasileiro, em que o jovem passaria um ano de sua vida assistindo a um filme nacional por dia, logo seguido de uma palestra. Em breve, hostes e mais hostes de espectadores treinados estariam prontos para defender esta nossa riqueza, esta nossa pujante Amazônia cultural.

Autor: Pedro Sette-Câmara

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