Redação nota 10

Se eu quisesse passar no vestibular, escreveria isto aqui.

A informação e a fome

Muito se tem falado sobre globalização. As recentes transformações que levaram à queda das fronteiras e à livre circulação de informações e capitais fazem com que o ser humano precise repensar o seu papel. A mudança de paradigmas obriga à reavaliação de crenças, modelos e padrões, e obriga todos a pensar no tipo de sociedade que se deseja para o futuro. Ao mesmo tempo, ninguém pode negar que nem todos participam deste processo, pois há muitos que não possuem nem mesmo o que comer, que dirá um computador com acesso à internet.

A grande questão com que a humanidade se defronta na aurora do século XXI é justamente esta: como pode ser possível que o tesouro da informação seja ao mesmo tempo tão acessível a alguns, que vivem nos países ricos, e tão remota para a maioria espalhada pelos países do terceiro mundo. Os milhões – talvez bilhões – de seres humanos que são obrigados a passar seus dias com menos de um dólar, com baixa expectativa de vida, nos obrigam a questionar o modelo que até agora vem sendo adotado para o governo da sociedade, pois fica evidente que ele é um gerador de processos de exclusão. Assim, temos de um lado a sociedade da informação, em que cada pessoa luta para manter-se atualizada, onde o grande bem é a última coisa divulgada; e, de outro, uma sociedade arcaica, onde a luta individual é por comida, pela simples sobrevivência do corpo, sem o direito a grandes aspirações. Sem direito à verdadeira cidadania.

Isto acabará tendo um efeito nefasto não apenas sobre aqueles que sofrem os efeitos diretos deste processo, mas também sobre os que estão na outra ponta. Se os países ricos não quiserem compartilhar seus bens, possivelmente acabarão aniquilando as populações que vêm explorando há séculos. É necessário impedir que isto aconteça. É importante que haja uma conscientização global pelas necessidades dos menos favorecidos e que o ser humano, após reconhecer no outro o seu irmão, aprenda a ser mais solidário, para que assim possamos criar um mundo melhor.

Autor: Pedro Sette-Câmara

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