De apor barrete luso ao fero Dante*

Meus caros, na quarta-feira, 4 de agosto, haverá na Casa de Rui Barbosa (aqui no Rio) o lançamento da tradução do Inferno de Dante Alighieri pelo falecido Jorge Wanderley. Começa às 17h com um debate, e entre os debatedores estará o virtuose Paulo Henriques Britto. Às 19h30 começam a vender o livro. Eu estarei lá.

A Casa de Rui Barbosa fica na Rua São Clemente, 134. Deve ser bem perto do metrô de Botafogo.

Para quem não sabe, Jorge Wanderley traduziu todos os poemas avulsos de Dante, e também os poemas de Vita Nuova. É bem verdade que ele preferiu muitas vezes a eufonia ao significado, mas também é verdade que a tradução de poesia traz resultados sempre “provisórios”, em que o caráter de arranjo fica muito evidente para quem conhece a língua de partida e a de chegada, de modo que transformar esta simples observação em uma acusação seria pura mesquinharia. Quem quiser, que traduza melhor.

Mas bem. Meu italiano é quase nulo, nem Laura Pausini eu escuto; provavelmente levo rasteiras violentas de falsos cognatos, tempos verbais etc ao olhar o texto italiano ao lado do texto português. Não hesito em dizer, no entanto, que a tradução de JW para Vita Nuova parece ser o correspondente em português da tradução de Dante Gabriel Rossetti para o inglês. Por alguma razão insondável, a tradução dos poemas – definitivamente a “parte difícil” – nunca foi acompanhada dos textos em prosa sem os quais o livro é ininteligível. Coisas do Brasil, provavelmente.

JW também traduziu os sonetos de Shakespeare. A tradução é ótima; quem encontrar o livro por aí, compre e me venda. Eu dei todos os que eu comprei, e agora não acho mais.

Quem puder, vá. Do ponto de vista “curturar”, e não só da badalação, é o evento do ano. Ao menos até agora, ao menos no Rio de Janeiro.

* Primeiro verso de um poema de JW dedicado a Bruno Tolentino, a respeito de traduzir Dante. Just google it.

Autor: Pedro Sette-Câmara

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