Moraes & Bishop

Sonnet of intimacy

Translation by Elizabeth Bishop

Farm afternoons, there’s much too much blue air.

I go out sometimes, follow the pasture track,

Chewing a blade of sticky grass, chest bare,

In threadbare pajamas of three summers back,

To the little rivulets in the river-bed

For a drink of water, cold and musical,

And if I spot in the brush a glow of red,

A raspberry, spit its blood at the corral.

The smell of cow manure is delicious.

The cattle look at me unenviously

And when there comes a sudden stream and hiss

Accompanied by a look not unmalicious,

All of us, animals, unemotionally

Partake together of a pleasant piss.

Soneto de intimidade

Vinícius de Moraes

Nas tardes da fazenda há muito azul demais.

Eu saio às vezes, sigo pelo pasto agora

Mastigando um capim, o peito nu de fora

No pijama irreal de há três anos atrás.

Desço o rio no vau dos pequenos canais

Para ir beber na fonte a água fria e sonora

E se encontro no mato o rubro de uma aurora

Vou cuspindo-lhe o sangue em torno dos currais.

Fico ali respirando o cheiro bom do estrume

Entre as vacas e os bois que me olham sem ciúme

E quando por acaso uma mijada ferve

Seguida de um olhar não sem malícia e verve

Nós todos, animais sem comoção nenhuma

Mijamos em comum numa festa de espuma.

Autor: Pedro Sette-Câmara

www.pedrosette.com