Madrid, 11 de março de 2004

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(A imagem é uma cortesia do Google espanhol)

Nestes momentos é muito difícil para mim não ser um neocon.
Isto (com um pouco mais de veemência, vamos dizer assim), é claro, é o que eu dizia aqui no Rio, sentado confortavelmente no lançamento do livro de Alexandre Soares Silva, conversando com Barbara Axt, Bernardo Carvalho, e Rafael Lima.

Mas e se eu estivesse em Madrid, o que diria? O que alguém pode dizer aos parentes e amigos dos mortos? O que alguém pode dizer aos sobreviventes? Em ocasiões menos absurdas, como no massacre da Páscoa de 1916, W. B. Yeats só conseguia dizer “polite meaningless words”. Não houve muito progresso de lá pra cá.

O que diria um sobrevivente? Que num instante, e de maneira desagradavelmente literal, o mundo parou de fazer sentido? E como se volta para o mundo depois, lembrando que – já que há um precedente – a qualquer momento os trens podem explodir, os prédios podem ser destruídos por aviões?

Que Deus tenha piedade das almas daqueles que pereceram ontem, sem aviso.

Autor: Pedro Sette-Câmara

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