Econometria e confusão mental

Hans-Hermann Hoppe, em entrevista recente, sobre o panorama intelectual desolador dos estudos econômicos contemporâneos (tradução livre):

“Desde os anos 1950, em grande parte graças à influência de Milton Friedman, a maioria dos economistas tem adotado a idéia ‘positivista’ de que a economia deve imitar os métodos utilizados na física. Em resultado, o estudo econômico moderno se tornou matemática de baixo nível sem qualquer significado empírico ou aplicação. Ou então, [os economistas] constroem e testam assim chamados modelos, para ‘provar’ (na melhor das hipóteses) o que já é óbvio para todo mundo, tal como que a água corre para baixo, ou para mostrar por meios empíricos o que pode ser estabelecido logicamente (como confirmar empiricamente o teorema de Pitágoras). No entanto, em muitos casos, e pelo mesmo

método, eles também ‘provam’ empiricamente que a água às vezes corre para cima e, absurdamente, que o teorema de Pitágoras às vezes não se mantém. Em suma, o mainstream acadêmico da teoria econômica moderna está num estado de total confusão.

“Quando eu comecei a estudar economia, me ensinaram, conjuntamente, a metodologia positivista. No entanto, desde o início, não fiquei convencido. A lei da utilidade marginal, ou a afirmação de que aumentar-se o salário mínimo nos EUA para US$ 500 por hora implicará desemprego em massa não me pareciam hipóteses questionáveis que precisassem de testes empíricos, mas como verdades lógicas diretas. Levei um tempo para descobrir que essa era a visão clássica, esposada mais explicitamente por [Lionel] Robbins e [Ludwig von] Mises. Descobrir Robbins e Mises, então, veio como um grande alívio intelectual para mim, e me fez levar (e estudar) a economia a sério, pela primeira vez.

“A teoria econômica mainstream é irrelevante, mas aberta à idéia de experimentação e reengenharia social (como mais se poderiam testar as hipóteses?). É por isso que o Estado intervencionista moderno está disposto a financiar a empreitada inteira. Em contraste, a teoria austríaca tem imensa importância prática, ela geralmente se opõe ao intervencionismo econômico, visto como contraproducente. Não surpreende, portanto, que a Escola Austríaca receba pouco ou nenhum apoio estatal. Apesar disso, eu sou otimista, [e creio que] a teoria econômica mainstream vai morrer em razão de sua própria irrelevância (artigos em periódicos famosos do mainstream praticamente não têm leitores).”