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PRECONCEITOS GLOBALISTAS 31/05/99 Tenho dito sem cansar nesta coluna que, por trás dos movimentos de minorias que pululam no Brasil existem poderosos interesses multinacionais, que querem jogar brasileiros contra brasileiros e criar conflitos que enfraqueçam a autoridade do Estado nacional. Com efeito, a maior parte dos países, hoje em dia, já não são mais países autônomos: são meros aplicadores de leis que lhes vêm de entidades como UNESCO, FMI etc. Também tenho dito que a maior contradição da esquerda brasileira é denunciar as políticas econômicas importadas do FMI, ao mesmo tempo que aplaude e se põe de prontidão para aplicar qualquer programa da ONU ou da UNESCO. Assim, de repente, o Brasil adere a legislações imbecis como a do porte de armas, adota as baboseiras politicamente corretas no novo Código Penal e dá sinais de que instaurará a legalização do assassinato de fetos inocentes. Essas considerações vêm a propósito de duas notícias do jornal O Globo desta semana. Primeiro, na terça-feira, 25/05, sai com alarde a notícia de uma pesquisa que a UNESCO fez sobre o jovem carioca. Paro por um instante: por que diabos a UNESCO fez uma pesquisa sobre o jovem carioca? O que diabos a UNESCO tem a ver com isso? Será que precisamos mesmo de uma organização internacional para vir aqui nos dizer o que somos, e como deveríamos ser? Ninguém percebe o absurdo, a intromissão indevida, a arrogância? E a esquerda ainda fica falando em "soberania"? Que soberania pode haver, se achamos lindo que uma pesquisa dessas seja feita e divulgada? Mas vou em frente. O jornal pôs a seguinte manchete: "Jovens admitem ter preconceitos contra homossexuais, negros e deficientes". Deixo os homossexuais para logo depois, e falo um pouco do propalado "preconceito contra negros": onde é que já se viu alguém precisar de pesquisa para dizer que um povo é racista? Quer dizer, alguma vez precisou a UNESCO ir até a África do Sul comprovar estatisticamente o racismo da elite que instaurou o apartheid? Alguma vez alguém precisou entrevistar os membros da Ku Klux Klan para saber se eles gostavam ou não de preto? Quer dizer, o simples fato de precisar juntar um monte de jovens, fazer umas perguntas que nem sabemos quais foram e depois lançar suas declarações de forma descontextualizada numa estatística já é a prova de que não há racismo socialmente significativo no Brasil. Em outras palavras: a simples existência dessa pesquisa já a desmente. Claro, interessa às organizações multinacionais incentivar o "movimento negro" brasileiro, e todos os seus trágicos efeitos de divisão e acirramento dos ódios raciais. Mas quem quer que acredite sinceramente nessa parte da pesquisa não passa de um cretino, que não está qualificado para discutir seriamente o que quer que seja. Mas falo do próximo pobre grupo discriminado, os gays. Em tempo: me recuso terminantemente a usar o termo "homossexual", que é intrinsecamente contraditório. "Sexo" tem a mesma origem de "secção", isto é, divisão, corte. A própria idéia de "sexo" pressupõe diferença e alteridade, e o sexo com um igual não é sexo de maneira nenhuma, e o termo "homossexualismo" encerra, portanto, uma contradição. Voltando aos gays. A matéria diz a seguinte coisa: "Para 33% dos jovens, o homossexualismo é uma doença e boa parte falou em aberração moral e social. (...) Nas entrevistas com as famílias, muitas mães também fizeram restrições aos homossexuais, o que revela que o preconceito é alimentado nos lares." Eis aí um típico exemplo da ampliação absurda do termo "preconceito", e da manipulação desse uso para criar uma consciência culpada na população. Preconceito é uma idéia pré-racional, na qual o sujeito baseia suas opções diárias, os atos de sua vida etc., sem refletir e examiná-la. Todos nós temos preconceitos, e precisamos deles. O único sujeito que analisa até a última instância todas as suas idéias é o filósofo, tipo raríssimo que se preocupa sinceramente com o fundamento de todas as suas crenças e faz de sua vida uma busca de coerência. Será que o cretino que escreveu a matéria de O Globo e os outros que fizeram a pesquisa da UNESCO estão totalmente isentos de preconceitos? Será que eles são, por exemplo, capazes de definir por que uma pesquisa estatística funciona? Será que são capazes, por exemplo, de fundamentar filosoficamente a indução? Duvido. Assumem que a indução funciona - e isso é um preconceito. E, agora, vêm reclamar de preconceitos contra gays? Mas examino mais de perto ainda os tais "preconceitos", e descubro que nem mesmo podem ser chamados, a priori, de preconceitos. Ora, uma mesma idéia pode ser preconceituosa para uma determinada pessoa e pode ser um conceito para outra. Suponha que um psiquiatra comprove, usando os métodos A e B, que os gays são doentes mentais. Para ele, estará formado um conceito sobre os gays. Suponha, agora, que o seu Zé da esquina também ache que eles são doentes, sem nunca ter parado para pensar no assunto: eis aí um preconceito. Agora, o autor da matéria de O Globo e os autores da pesquisa da UNESCO já dão por pressuposto que os gays não são doentes. Acontece que não existe nenhuma prova científica sobre o assunto. A Organização Mundial de Saúde retirou o "homossexualismo" de sua lista de doenças não por ter provas de que não seja doença, mas simplesmente por não ter provas de que seja. Portanto, qualquer opinião sobre o assunto, a não ser que venha acompanhada de provas científicas, não passa de preconceito. Donde se conclui que os entrevistadores são tão preconceituosos quanto supostamente o são seus entrevistados. Eis o absurdo total: apresentar como verdade absoluta uma simples opinião que, até hoje, ninguém conseguiu provar, e querer, ao mesmo tempo, crucificar quem apresenta a opinião contrária. A coisa fica ainda pior quando os entrevistadores chamam de "preconceituosos" os rapazes que consideram o "homossexualismo" uma aberração social e moral, e as mães que fazem "restrições" aos gays. Esses "preconceitos" são os conceitos sobre homossexualismo encontrados nos textos sacros das três maiores tradições religiosas do mundo: o cristianismo, o islamismo e o judaísmo. Nenhuma delas deixa de condenar vigorosamente o "homossexualismo". E, me perdoem, mas entre as morais religiosas da Bíblia, do Corão e da Torá, e a agenda da Nova Ordem Mundial, eu tenho pelo menos umas vinte mil razões para optar pelas primeiras, qualquer que seja o assunto. Mais ainda, num caso em que existe unanimidade entre morais tão freqüentemente divergentes. Mas é muito grave que sejam condenados na mídia jovens que simplesmente defendem idéias que as tradições religiosas também defendem. No reinado da mentira global, quem quer que discorde dos preconceitos da UNESCO é que será chamado de preconceituoso e será mostrado como um defensor do extermínio das minorias. Trata-se de uma das maiores inversões morais a que alguém já pretendeu submeter a humanidade. E, aliás, a UNESCO e O Globo não dão nenhuma razão para que sigamos a sua moral e não as morais religiosas: o que eles querem é criar um ódio irracional contra essas religiões, e espalhar o preconceito contra elas. E um exemplo da inversão moral vem na mesma matéria. O "malvado" da história é um lutador de jiu-jitsu que diz não gostar de "homossexuais" porque "eles são descarados" e "assediam a gente na rua"; diz também não "querer que se misturem com a gente". Deixe-me ver se eu entendi: o garoto é obrigado a gostar do assédio gay. Se um viado chega perto dele na rua e lhe dá uma cantada, ele tem que gostar disso, tem que achar lindo e maravilhoso. Mais ainda: ele é obrigado a querer se misturar com os viados, a andar com eles, talvez tomar banho junto com eles etc. Ora, ninguém pode estar propondo um negócio desses a sério! Ah, mas estão. Claro, nunca ninguém vai pôr as coisas nesses termos. Vão sempre tentar desconversar, acusar quem tente mostrar isso de preconceituoso, vão usar os expedientes erísticos a que já estamos acostumados. É parte da estratégia sempre dizer as coisas pela metade, porque se disserem tudo claramente como estou dizendo aqui, o absurdo fica por demais patente. Ditas assim (com as premissas escondidas), e, mais ainda, ditas com a concomitante exposição de bodes expiatórios para a execração geral, as idéias adquirem uma credibilidade imediata e quem quer que não se disponha a pensar sobre o que realmente está sendo dito cai na armadilha do sofisma. E assim, aos poucos, as pessoas vão sentindo vergonha até mesmo de não gostar dos gays, ou de achar a Benedita da Silva horrorosa, ou de pensar que talvez seja melhor conseguir enxergar do que ser cego. Talvez não tenha ficado claro por que falei em cegos. Mas é por causa do terceiro grupo "discriminado". A UNESCO, em sua obra de nos revelar a nós mesmos, segue dizendo o seguinte: "Segundo os professores, os jovens discriminam gordos, baixos, gagos e deficientes físicos." A frase, por si só, não revela nada. O que quer dizer "discriminar"? Será achar, por exemplo, que uma menina gorda é mais feia do que uma menina magra - isto é, que é melhor olhar para a Danielle Winnits do que para a Silvia Popovic? Será achar que é melhor falar direitinho do que ser gago "discriminar" os gagos? A resposta é: sim, tudo isso é discriminação. Mas é uma discriminação necessária, que não tem absolutamente nada de condenável. Discriminar, nesse sentido, nada mais é do que distinguir, do que definir o certo e o errado, o bom e o mau, o feio e o bonito - enfim, é efetuar as operações básicas da mente humana. Pode ser que a frase signifique, no entanto, que os rapazes deixam os gagos, os gordos e os baixos de lado. Mais uma vez, abrem-se duas hipóteses: essas discriminações tanto podem acontecer em situações pertinentes, quando em situações em que não caberiam. Por exemplo, se o gordo é deixado de fora do time de futebol, o cego não é convidado a ir ao cinema, o gago não é eleito orador da turma... Alguém vai falar mal dessas "discriminações"? Parece bastante evidente a pertinência e a necessidade delas. Resta a hipótese "malvada", que é a única que o jornal leva em conta - com a pobreza mental típica da imprensa brasileira. Quer dizer, os cegos, deficientes físicos, gagos e os baixos (porca miséria, o que diabos são os "baixos"?!) são deixados de lado pelas turmas, por ódio ao "diferente". Começo dizendo que a acusação é estúpida: quem quer que tenha visto tal coisa acontecer que me lance a primeira pedra. Mas mesmo que alguém chegue a lançar a pedra, que autoridade tem a UNESCO de criticar isso? Quer dizer, mais uma vez: desde quando é ilegal não gostar de alguém? É proibido não gostar dos gordos? Os gordos têm um direito constitucional de que todos gostem deles? Ora, nem os gordos, nem ninguém pode exigir que os "jovens cariocas" gostem deles. Ninguém pode legislar sobre preconceitos. Pode-se, sim, legislar sobre ações concretas cometidas contra determinadas pessoas - esses são justamente os objetos do Código Penal. Mas um crime não é mais grave se for cometido contra um viado, ou contra um heterossexual; um assassinato de um branco não é mais grave do que um assassinato de um negro, ou vice-versa; o sujeito magro que espanca um gordo não é pior do que o sujeito gordo que espanca um magro. Não há vítimas preferenciais, não há vítimas melhores, nem vítimas piores. A pesquisa da UNESCO pretende desmentir isso. Ela elegeu certas vítimas, e veio defender as idéias mais idiotas, como acabamos de ver. Mas o Brasil, e o Rio especificamente, tem seus idiotas de plantão, prontos a pôr em prática qualquer idéia monstruosa que os senhores do mundo lhes recomendem. Assim, no dia seguinte, o Sr. "Sub"secretário de Segurança Luís Eduardo Soares (me perdoem a insistência, mas o homem não pára!) anunciou, também em O Globo, a mais nova criação de sua genial política de insegurança: a criação de uma rede de denúncias de violências contra gays. (Não deixe de ler minha "Carta imaginária ao sr. Luís Eduardo Soares".) A UNESCO recomenda, o sr. Soares executa. Assim funciona a esquerda anti-brasileira. Só estou até agora imaginando por que diabos os gays têm esse privilégio, por que diabos uma violência contra um gay é mais grave do que uma violência contra um heterossexual. Mas desisto: são ordens da UNESCO, e não se discutem ordens da UNESCO, por mais idiotas, mais absurdas, mais provocadoras de divisões, mais injustas e mais desiguais que sejam. E então, quando aparece uma pesquisa como essa noticiada em O Globo, o que é que os palhaços fazem? Eles dizem "saiam daqui, imbecis, vão cuidar do racismo nos Estados Unidos, vão cuidar dos próprios preconceitos, parem com essa mania de dizer aos brasileiros como devem ou não devem se comportar"? Eles dizem "sua pesquisa trabalha com conceitos mal explicados, visa a jogar brasileiros contra brasileiros, a criar falsas reivindicações, a enfraquecer o Estado nacional, a inventar falsos problemas?" Eles mandam a UNESCO calar a boca, como ela merecia? Não, eles não fazem nada disso. Eles já perderam toda a vergonha na cara. Os palhaços, imprensa à frente, Governo logo atrás, "juristas" um pouco mais atrás, vão logo engolindo as idiotices importadas. E logo começa o cordão dos idiotas: "contra a impunidade!", "contra o preconceito!", "contra a cultura da bandalha!". E nisso vamos todos virando palhaços também, e a vida política nacional vai se tornando caricatural de tão ridícula, nas mãos de entidades absurdas como essa UNESCO e sua pesquisa cretina. |