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Mais sobre as drogas na PUC no artigo "Tenham
vergonha na cara!" |
UNA FURTIVA LACRIMA 25/05/99 "O Governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, produziu a cena mais bonita da política brasileira dos últimos tempos. Subiu o Morro da Mangueira e foi pedir desculpas à comunidade pelo assassinato de um garoto de 14 anos. Percorreu as trilhas pelas quais o menino, desarmado e ferido num braço, tentou fugir de policiais que foram ao morro para achacar traficantes." Isso foi o que escreveu o jornalista Elio Gaspari, na Folha de São Paulo de 19/05/99 (o artigo também foi publicado em O Globo, no mesmo dia). Chego a ter vontade de chorar, de derramar a furtiva lágrima do título e da famosa ária, comovido com tanta compaixão, tanta sensibilidade da parte de um jornalista e de um Governador. Digam, leitores, eles não são poéticos? Não dá vontade de aplaudi-los? Em algum lugar desse país – se me pedirem para chutar onde, eu diria: Campos – alguém deve ter recortado o artigo e colocado numa moldura. "O artigo mais belo da imprensa brasileira dos últimos anos, a respeito da cena mais bela da política brasileira dos últimos tempos." Belíssimo. Bravíssimo! Ah, sim, Gaspari tomou o cuidado de omitir as circunstâncias gerais do tal pedido de desculpas. Quer dizer: ele até as menciona, mas de um jeito meio escondido, como quem deixa de fora as notas que poderiam estragar a sinfonia. Como Liberace, que tocava Beethoven deixando "as partes chatas de fora". É, foi melhor para o Gaspari deixar as partes chatas de fora. Melhor que ninguém soubesse qual foi a reação do morro da Mangueira ao assassinato do menino. Segundo Gaspari, o povo "fez-se ouvir". Bela maneira de fazer-se ouvir: fecharam o túnel Santa Bárbara (que fica perto do Morro da Mangueira, e quase do lado do Palácio das Laranjeiras, residência oficial do Governador). Com o túnel fechado, incendiaram um ônibus que ficou lá dentro, apedrejaram carros, lincharam pessoas, atacaram policiais. Instauraram o caos no túnel Santa Bárbara, e o Governador foi pedir desculpas a eles, como quem diz: "é, eu sei, vocês estão certos de incendiar ônibus, não importa se vocês vão matar alguém, vocês estão só consertando uma injustiça; mas me perdoem pela injustiça, ela não vai voltar a ocorrer". Alguém ouviu o Governador pedir desculpas às pessoas que viveram horas de pânico dentro do túnel? No mesmo dia do tão belo artigo de Gaspari, um leitor publicou em O Globo as seguintes palavras: "No último sábado, em companhia de meu filho de 16 anos, ao atravessar o Túnel Santa Bárbara, fui testemunha ocular de atos de vandalismo que estão se tornando rotina na vida dos cariocas. (...) Aguardei pacientemente por 48 horas para ver se o Governador iria se desculpar com as centenas de pessoas que, como eu, viveram horas de terror e desespero, encurraladas a alguns metros da sede do Governo de um lado e a outros tantos metros de um regimento inteiro da Polícia Militar, com seus cinco batalhões que, teoricamente, são pagos para proteger as comunidades independentemente do quintal a que pertençam." Triste sina a desse leitor, que descobriu do pior jeito (na prática) que a política de segurança do Garotinho, e a política de segurança da esquerda de uma forma geral, não foi feita para garantir segurança à população. Não foi feita para proteger "burgueses" como ele. Foi feita exclusivamente para corrigir "injustiças sociais". Por isso o Garotinho vai pedir desculpas ao morro, antes mesmo de saber se a polícia foi culpada ou não: porque o simples fato de seus habitantes morarem em favelas já os torna superiores a seus olhos. Porque, aos olhos dos esquerdistas, a "burguesia" é sempre culpada, a propriedade é um roubo, o lucro é um crime – qualquer ação contra esses detentores da propriedade, portanto, é justa, porque é "o morro se fazendo ouvir", reclamando seus "direitos". Mesmo que para isso tenham que cometer crimes, tenham que matar alguns aqui e ali. Engraçado que tudo isso ocorra na mesma semana que o Jornal da PUC trazia o sr. Luís Eduardo Soares, teoricamente subsecretário de segurança, na prática secretário, dizendo que as teses de "confronto direto com o crime" estão superadas. Pois justamente durante a vigência do "confronto direto", liderado pelo General Nilton Cerqueira, as taxas de criminalidade no Rio caíram radicalmente. Agora, estão aumentando de novo, porque os bandidos não estão preocupados em deixar de "confrontar diretamente" a população. Se a polícia tem ordens para não confrontá-los, muito melhor para eles. Estarão mais seguros do que nunca. Por isso é que o sr. Gaspari está inteiramente errado. O ato do Governador não foi um ato "bonito". Foi um ato covarde, populista e perigoso. Covarde, porque mostra a falta de disposição do Governo de enfrentar o crime, precisando se desculpar porque a polícia subiu o morro, mesmo depois de o morro ter cometido atos bem mais graves do que os que os policiais supostamente cometeram. Populista, no pior sentido da palavra, por querer lisonjear os pobres e os moradores do morro, ainda quando estavam errados; ao mesmo tempo que ignorou a dor das vítimas dos atos daqueles a quem o Governador estava pedindo desculpas. Pedir desculpas ao morro dá ibope, dá artigo do Elio Gaspari, reforça a imagem de político preocupado com as "questões sociais". Garotinho não ia ganhar nada disso se também pedisse desculpas às vítimas da violência do morro. Finalmente, foi um ato perigoso, porque revela a insegurança a que a população carioca está submetida. Garotinho mostra, mais uma vez, que não está disposto a combater o crime, que tem medo dos bandidos, que está comprometido com eles. Garotinho mostra que não se preocupa com a segurança, só com a sua imagem. Mostra que teremos anos de muitos riscos pela frente... Aliás, aproveitando que confessei minha comoção com o artigo do Gaspari, também confesso minha adesão à campanha de desarmamento: entreguei ao Dom Eugenio Salles a minha pistola automática, e não vou mais participar de nenhum massacre em escolas particulares, nem vou mais sair por aí matando bandidos. Também acredito que, por eu ter consentido em entregar minha tão perigosa arma, o número de crimes na cidade vai diminuir e nenhum bandido mais terá a coragem de me assaltar, nem de tentar me matar. Inclusive, não perguntei ao Dom Eugênio o que é que o Garotinho vai fazer com tanta arma, e também estou até hoje esperando a visita do coelhinho da Páscoa, que o Garotinho prometeu que ia vir me trazer ovos de chocolate, da mesma maneira que ele ia solucionar o problema da violência desarmando as vítimas. Perdoem a ironia, mas essa prepotência idiota é uma marca do Governador. Gaspari também o elogiou por isso: "Subindo o Morro da Mangueira, Garotinho mandou o seguinte recado à polícia: "— Minha caneta está cheia de tinta. Não adianta querer enfrentar o governador. Caso contrário, vai para a rua." Pois é: ele faz e acontece. Os bandidos também. A população que se cuide... *** Aproveito o assunto para reproduzir aqui uma nota da coluna do jornalista Ricardo Boechat, do jornal O Globo, publicada em 23/05/99: "Barra Pesada "Professor de Direito, um juiz carioca está impressionado com o comércio de drogas no campus da PUC do Rio, na Gávea. "Há dias, ele mesmo foi abordado por um traficante de cocaína, no estacionamento da escola. "Ele denunciou o fato à polícia. "Mas a festa continua." O tráfico de drogas corre solto na venerável instituição carioca. Todo mundo sabe disso, inclusive o reitor. Mas todo mundo faz vista grossa. O assunto mesmo só chegou à imprensa dessa forma, numa notinha que ninguém notou. E ninguém se faz as perguntas que devia fazer: como é que as autoridades universitárias não fazem nada? Por que é que a polícia não investiga? E aí me lembro de que o Luís Eduardo Soares esteve na PUC dando palestra sobre como os bandidos são bonzinhos e a população e a polícia são maus, e me lembro de que combater o tráfico de drogas deve ser aquilo que o sr. Secretário chama de "confronto direto com o crime", política que ele quer evitar a qualquer custo. Entendo, então, que ele tem suas razões para não querer combater os traficantes puquianos. Também me lembro de que, na PUC, a Constituição brasileira, que garante a liberdade de expressão, não tem vigência – ora, então, por que é que o Código Penal deveria ter? Não: vender e consumir drogas na PUC não é crime. Tanto que as aulas do prof. Leandro Konder vivem cheias... |