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UM CASO DE IRRESPONSABILIDADE
02/08/98
Todos viram, pela televisão, o caso do policial que, habilmente defendendo
sua vida, conseguiu atirar no bandido que estava prestes a atirar nele.
Todos viram como era um caso de auto-defesa e que só tínhamos a admirar
a habilidade e a coragem do policial. Todos, menos o dirigente do movimento
Viva-Rio. É ele o autor da seguinte sandice, noticiada pelo jornal O
GLOBO de 06/08/98:
"O impacto das imagens chocou o coordenador
do movimento Viva Rio, o antropólogo Rubem César Fernandes. Para ele,
a reação do cabo foi de total despreparo:
- Ele percebeu que o assaltante estava
armado e a reação foi de atirar. O policial tinha uma cara boa, não
me parece matador. Mas é impressionante esse clima de atirar primeiro,
de faroeste.(...) Não é só a polícia. É esse circuito de polícia e bandido.
Não se pára mais para prender, para tentar desarmar. (...) É muito difícil
ser policial no meio desse tiroteio, ele também é alvo. Mas a polícia
precisa dar o exemplo."
Devo, aqui, confessar uma certa incredulidade. Demorei até pra registrar
as palavras do sr. Rubem César. É inacreditável que alguém possa ser
tão irresponsável, e ainda por cima coordenar um movimento que pretende
reforçar a segurança do cidadão carioca.
1) Ele finge não perceber que o bandido ia atirar no policial, vitimizando
o bandido, negando veementemente o que os olhos de todos viam. Deve
achar que o público também é idiota.
2) Ele pretendia que o policial, mesmo sob o risco de ser assassinado,
tentasse desarmar o bandido! Sinal de que não preza a vida do policial,
só a do bandido.
3) Ele ainda afirma que agir em defesa da própria vida foi um mau exemplo.
O que é que ele pretende, uma sociedade de medrosos? Uma sociedade eternamente
acuada, na mão da bandidagem? E mais: uma polícia acuada, sem o poder
nem mesmo de defender a própria vida?
Ninguém pense que a idiotice desta semana é desimportante, mera expressão
de um irresponsável individual. Até porque, esse sujeito lidera um movimento
que se diz defensor do cidadão.
Aí é que está: desde há muito, qualquer movimento de "direitos humanos"
se especializa em defender os direitos dos bandidos, e em criar um clima
negativo contra a polícia. A entidade responsável por resguardar a segurança
tem sido constantemente atacada, vilipendiada, menosprezada, por todos
esses pretensos “humanistas”.
Num tal clima, não é de se espantar que surjam os abusos policiais.
É a lógica da coisa: sentindo-se acuada, a polícia acaba desenvolvendo
uma espécie de consciência “anti-social” e acaba abusando de seu poder,
para não perdê-lo completamente.
Armar uma entidade e depois começar uma propaganda interminável contra
ela é completamene contraditório e só pode conduzir às piores conseqüências.
Ainda bem que havia aquela câmera no local do incidente em questão.
Do contrário, todos já teríamos sido novamente bombardeados com críticas
à “violência policial”, quando, freqüentemente, essa violência nada
mais é do que defesa da própria vida. Graças à câmera, o protesto patético
de Rubem César pode ser ridicularizado pelo mesmo público que ele pretende
manipular.
Mas que ninguém subestime o poder de manipulação da intelectualidade:
há pouco tempo, todos viram na televisão como 20 PMs eram atacados com
foices e outras armas por uma centana de “sem-terras”. Apesar disso,
todos acabaram acreditando menos nos próprios olhos do que nos intelectuais
que propagaram a farsa do “massacre dos Sem-Terra”...
Em tempo: a menção honrosa desta coluna vai para a advogada do movimento
Viva Rio, Elizabeth Sussekind, que, devidamente instruída pelo “patrão”
Rubem César, fez as declarações abaixo , no GLOBO do dia seguinte, onde
queria que o policial chamasse alguns companheiros (certamente convecida
de que, a exemplo dos membros do Viva Rio, um membro da Polícia não
é capaz de decidir nada sozinho):
“O policial arriscou sua vida e a de quem
passava pela praça em uma abordagem (...) totalmente inadequada. Ao
invés de pedir ajuda à corporação, agiu sozinho, como pessoa comum,
e não como policial preparado. Este policial, embora corajoso e cumpridor
do seu dever, só sabe agir matando [o que, certamente, pressupõe
que esta senhora já viu o policial em ação muitas outras vezes...].
Quem está no banco dos réus, neste caso,
é a PM e seu treinamento”.
Não, não, minha senhora: o que está em julgamento é a idoneidade do
Movimento Viva Rio e a saúde mental de seus representantes...
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