Não publicada, não respondida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DE: Alvaro Rosário Velloso de Carvalho

PARA: O Globo <cartas@oglobo.com.br>
Cc: Marcio Moreira Alves <alves@rudah.com.br>

DATA: Quarta-feira, 9 de Dezembro de 1998 10:39

ASSUNTO: O AI-5 E MARCIO MOREIRA ALVES

O leitor Raymundo Negrão Torres demonstra, em carta publicada em O GLOBO de 09/12/98, que o sr. Marcio Moreira Alves não tinha nada de defensor da democracia e que sua atuação contra a ditadura militar de 64 não tinha NADA de democrática. Pelo contrário, visava a estabelecer em nosso país a ditadura socialista dos sonhos da esquerda juvenil stalinista e maoísta.

A isso, o jornalista responde que hoje em dia se converteu à democracia e CONFESSA que fez questão de ocultar o pronunciamento citado pelo leitor (onde suas intenções ficavam à mostra).

É evidente que a resposta do sr. Moreira Alves só o incrimina ainda mais. Afinal, ele nada mais faz do que concordar com o leitor: na década de 60, se ele e seus comparsas tivessem chegado ao poder, teríamos tido um regime de tipo cubano (e, claro, muito mais sangrento do que o regime de 64). O fato de, hoje em dia, ele se dizer um democrata não altera em nada essa situação.

Esse episódio é muito significativo em revelar o estúpido maniqueísmo que a imprensa tem adotado ao retratar os trinta anos do AI-5. Querem nos fazer crer que se tratava de uma luta do bem (os esquerdistas, entre os quais o Moreira Alves) e o mal (os militares), quando todas as evidências mostram que se tratava de um conflito entre o mal maior e o mal menor (respectivamente).

É ridículo pretender que o leitor que procurou mostrar essas obviedades é que é o preconceituoso e cheio de ódio. Que o sr. Moreira Alves reconheça que suas intenções então não eram das melhores, e no entanto não dê o menor sinal de redimensionar o conflito nas suas devidas proporções, é prova de sua desonestidade e insinceridade. Aliás, defeitos muito comuns na esquerda - de ontem e de hoje.

Atenciosamente,
Alvaro Rosário Velloso de Carvalho