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Carta publicada com cortes que a deixaram mais branda
(mas pelo menos me livraram de um processo por injúria) e sem
o PS.
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De: Alvaro Rosário Velloso de Carvalho
Para: Jornal O Globo
Assunto: Política de segurança de um garotinho
Data: 24/03/99
Em tempos normais, eu diria que ninguém é burro o suficiente para não
entender por que a violência aumentou no Rio desde que o "sr." Garotinho
assumiu o governo e vai continuar aumentando. Mas, em tempos de imbecilidade
coletiva ululante, fica difícil enxergar o óbvio. Pois esse senhor,
junto com seus brilhantes assessores, já tomou uma medida significativa,
e agora anuncia outra: a primeira foi amarrar as mãos da polícia, criando
uma central de denúncias anônimas contra policiais (o sonho de todo
traficante); e agora ele anuncia que vai amarrar as mãos da população,
proibindo as armas (um político americano já disse que "if you outlaw
weapons, only outlaws will have weapons" - e que se dane o cidadão
comum e honesto que quer proteger a própria família). Como se vê, longe
de proteger a população contra os bandidos, o nosso governador prefere
proteger os bandidos, primeiro, contra a polícia e, depois, contra a
população. É o reinado da palhaçada universal, bem debaixo de nossos
narizes. Ninguém vai falar nada? Ninguém vai dizer a esse fulaninho
que com segurança não se brinca, que não precisamos de um Estado para
nos proteger de nós mesmos, mas para nos proteger dos bandidos? Para
onde foi o bom senso geral?
PS- Mudando de assunto, noto ainda a dificuldade de nossos "intelectuais"
em se informar das coisas: como é que o sr. Verissimo pode se referir
ao livro de Lillian Hellman sobre o período de caça aos comunistas nos
EUA, a essa altura do campeonato, quando todo mundo já sabe, pelo menos
desde os comentários de Mary McCarthy (na década de 80) que Hellman
era uma mentirosa patológica, e que não há um parágrafo confiável naquele
livro? Para interessados: a prova mais recente disso encontra-se no
livro de Paul Jonhson, "Intellectuals", editado no Brasil pela Agir.
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