|
O tema dessas cartas foi abordado por mim nos artigos Opção preferencial pela incoerência e Leviatã mostra o rabo
|
Eis aí a união de dois e-mails enviados ao jornal "O Globo", o primeiro (intitulado "Ignorância perigosa") sobre a questão dos jovens universitários, o segundo ("Comprovação tardia") sobre a crise na UFRJ. Juntos, compõem um início de estudo sobre o assunto. O primeiro não foi publicado, o segundo, prova da argumentação do primeiro, foi publicado sem cortes, por razões insondáveis. [Esta apresentação já constava do texto quando publicado no oindividuo.com, em julho de 1998]
O repórter José Luiz Vilhena apresenta aos leitores de "O Globo", neste domingo, um retrato bastante cor-de-rosa do movimento estudantil universitário. Não sei se ele está simplesmente mal informado, por não ter consultado ninguém além dos líderes desse movimento, ou se manipula os dados com alguma intenção política subjacente. Não importa. Importa que os jovens adoráveis descritos na matéria são, em primeiro lugar, ávidos consumidores de drogas. Quando toda a imprensa aponta sua preocupação com o consumo de drogas na juventude, vem um repórter do Globo endeusar uns quantos sujeitos que são clientes freqüentes dos traficantes e passam os dias inteiros se drogando nas universidades, com a conivência das autoridades universitárias. Se alguém quiser verificar isso, basta passar meia hora na "vila dos diretórios" da PUC-Rio ou no "laguinho" da Praia Vermelha (UFRJ). Basta, também, sintonizar a "TV Comunitária" no horário do programa da PUC, e verá inúmeros professores e alunos fazendo apologia da maconha. Nenhum deles tem a menor autoridade para criticar o ensino de qualquer forma que seja, porque são todos alunos relapsos e ausentes. Em segundo lugar, basta examinar as declarações dos jovens para perceber que a alegação de apartidarismo não procede. Todos repetem o discurso raivoso, rancoroso e deturpador da realidade típico do esquerdismo mais irresponsável. Pelo que se vê das declarações de um deles, o problema é não existir um partido que obedeça a esses jovens autoritários do jeito que eles gostariam. (Mas jornais, pelo visto, já existem...) Em acréscimo a isso, basta lembrar que a entidade jovem da PUC encarregada da "cultura" chama-se Coletivo Cultural, o mesmíssimo nome que tinha no velho Partidão. Para encerrar, o repórter também ignora o terror que esses grupelhos exercem sobre os demais alunos. Isso vai parecer mentira, mas pode ser confirmado por qualquer membro da "Cambralha": numa manifestação cultural recente nos pilotis da PUC, um aluno subiu numa cadeira e comeu uma banana com casca. E disse que estava fazendo "arte". Qual o problema? O problema é que qualquer um que pretenda organizar uma manifestação verdadeiramente artística nas universidades terá o caminho imediatamente barrado, por não agradar aos "cambralhistas" ou a seus equivalentes na UFRJ. E esses jovens têm total apoio dos professores, cujos discursos, aliás, eles se limitam a repetir (um singular documento disso é um número recente do jornal do Diretório Acadêmico da UFRJ, onde um professor dessa instituição escreve exatamente as mesmas coisas que os jovens declaram a "O Globo"). Isso acaba fazendo com que a discussão de idéias seja terminantemente proibida nas universidades, porque esses grupos tagarelas e autoritários dominam tudo. O próprio "O Globo" noticiou, ano passado, o caso do jornalzinho da PUC-Rio cujos autores foram covardemente agredidos porque faziam críticas ao movimento "Cambralha". Quem estava lá sabe que foram mais de 100 encolerizados manifestantes contra 2 jovens assustados que só queriam iniciar um debate de idéias. Tudo isso mostra a leviandade do repórter, ao dar apoio a esses mini-Stálins baderneiros, aprovando ainda o ato absurdo de parar o trânsito do Rio de Janeiro para fazer reivindicações abstratas (e vale lembrar: a maior parte dos manifestantes era da PUC, entidade que não está em greve, nem nada semelhante: não há nada de estranho aí? Será que esse movimento é sério mesmo - não seria só uma agitação inconseqüente?). Graças a essas coisas, essas entidades continuarão exercendo seu autoritarismo, continuarão se achando donos do "campus" e posando de grandes heróis. E, claro, seria muita ingenuidade minha achar que esta cartinha será levada a sério por quem que seja... Atenciosamente, Alvaro Rosário Velloso de Carvalho Tenho algumas observações a fazer sobre o episódio de 2a feira na UFRJ. A primeira é que há cerca de dois meses enviei a O GLOBO um e-mail, evidentemente não publicado, criticando uma reportagem que exaltava o caráter politizado de determinados segmentos da juventude universitária carioca. Dizia eu que, pelo contrário, esses jovens eram quase que lobotomizados por professores com interesses políticos e podiam se tornar extremamente violentos. Da manipulação política, dava o exemplo de artigo publicado em jornal da UFRJ denunciando, em tom de gravidade, a "privatização branca" da Universidade, através da ligação com a iniciativa privada. Pois bem: segunda-feira todos tiveram a oportunidade de comprovar a que ponto pode ir a ira política desses jovens, depois de devidamente insuflados por determinados professores. Afinal, todos sabem (e a revista VEJA o comprovou) que o que está em discussão no caso atual não é a liberdade acadêmica, mas o medo que os estudantes têm de que a universidade seja privatizada. A diferença entre o Vilhena e o Teixeira é que o primeiro é a favor da ligação com a iniciativa privada, enquanto o segundo é contra. Em segundo lugar, não é justo pôr as coisas em termos de "um sujeito usando violência contra jovens indefesos". Ora, o reitor se reuniu com os jovens e o resultado foi a baderna, a confusão e, no fim, a violência. Foram os jovens os violentos, não o reitor, que, no fim das contas, estava querendo se proteger. A reportagem do GLOBO também não menciona - mas quem estava lá viu - os demais atos de violência perpetrados pela multidão fanatizada, como a quebra de azulejos e a depredação do prédio da Universidade. Em terceiro lugar, parece que o sr. Elio Gaspari tem um parafuso solto. Quer dizer então que uma multidão enfurecida ataca um homem e ele toma partido da multidão, acusando o homem pela confusão?? E ainda dá uma certa aura heróica aos jovens facínoras? Que coisa mais peculiar... Todo esse episódio é muito significativo do estado de coisas nas universidades brasileiras, em que grupos organizados violentos exercem um verdadeiro terror sobre os demais membros da comunidade acadêmica. O que aconteceu segunda feira é apenas uma amostra de até que extremos podem ir esses grupos quando contrariados. Atenciosamente, Alvaro R. Velloso de Carvalho
|